Foram
mais de cinco horas de viagem até a cidade onde Alice morava.
Matheus lutou intensamente, durante todo o trajeto, com seus
pensamentos e também contra as investidas de Shaladiel. O demônio
tinha uma presença de espírito muito forte. Foi com grande
dificuldade que Matheus conduziu sua moto durante toda aquela viagem.
Assim
que achou a localização do prédio, Matheus ligou para Alice.
Estava ainda muito nervoso e isso transparecia em sua voz:
-
Eu acabei de chegar! Tem como você descer para podermos conversar?
-
Nossa, Matheus! Já passou de uma da madrugada. Você não está
cansado? Não quer dormir um pouco?
-
Não tenho tempo pra perder, Alice. Eu não sei bem quanto tempo mais
eu tenho ainda. Vim o mais rápido que eu consegui porque queria
muito te ver. Eu tenho que falar contigo, é urgente!
-
Sei,... mas você não quer subir, então? A gente pode conversar
aqui em casa mesmo. Viviane está dormindo. Não vamos ser
incomodados...
-
Bem, se é isso que você quer, então estou subindo.
Matheus
subiu até o apartamento de Alice. Ela esperava-o também muito
aflita. Em pouco tempo Matheus estava batendo em sua porta. Ela abriu
rapidamente e logo os dois estavam abraçados beijando-se. Ele a
abraçou com muita força como se ela fosse a sua salvação,
tentando agarrar-se ao único fio de esperança que ainda lhe
restava. Alice sentia que algo de muito grave havia acontecido com
Matheus.
Passado
o primeiro momento do reencontro, Matheus começou a contar-lhe tudo
o que vinha acontecendo com ele desde o episódio com o lobo. Ele
contou-lhe sobre seu delírio no hospital, sobre como Demétrius
havia se comunicado com ele usando de telepatia e da visita
inesperada na pousada. E de forma dolorosa, contou-lhe tudo o que
ocorrera naquela noite da sua transformação: a possessão de
Shaladiel, o assassinato de todas aquelas pessoas, inclusive de seu
irmão Henrique. Ao fim de todo o relato de Matheus ele estava
esgotado emocionalmente por ter que relembrar todas aquelas
atrocidades.
Alice
ouviu tudo calada e atônita. Não queria acreditar naquilo que
Matheus lhe contara. Seus olhos estavam molhados e em pouco tempo
lágrimas e mais lágrimas começaram a brotar deles. Alice não
sabia como consolá-lo. Ela também sofria ao saber de tudo o que
Matheus tinha passado. Esse era um daqueles momentos em que se deseja
ter o poder de voltar no tempo para se consertar o que deu errado.
Era isso que ela desejava: acabar com o sofrimento de Matheus. Sem
saber ao certo como proceder ela o abraçou. Alice ainda chorava
muito. E ele, mesmo sem ela ter-lhe dito uma palavra sequer, já
sentia seu coração menos atormentado. O calor do amor de Alice o
estava aquecendo, lhe dando novas forças. Ela não o abandonara, ele
não estava sozinho.
“Talvez
ainda exista esperanças para mim...”, pensava Matheus.
Ele
não esperava que ela o apoiasse, nem mesmo que acreditasse em todos
aqueles absurdos que tinha dito, mas o fato foi que Alice o acolheu e
isso foi a salvação de Matheus. Agora ele tinha um motivo para
lutar, tinha uma razão para tentar se libertar daquela maldição.
Ele achara a força para continuar e ela vinha de Alice.
Depois
que os dois se recuperaram dos fortes momentos de emoção, ambos
dedicaram-se a achar uma saída para Matheus. Concordaram que o
melhor a fazer seria irem ao encontro de Demétrius procurar por
respostas. Mesmo sem a aprovação de Matheus, Alice insistiu que
iria junto. Eles deveriam agir rápido porque Matheus não sabia por
quanto tempo ele conseguiria manter Shaladiel sob controle. Naquele
momento em que os dois estavam juntos, para sua surpresa, o demônio
parecia ter ido embora. Matheus sentia-se realmente aliviado com
isso. Mas mesmo assim, ele tinha medo que Shaladiel retornasse e
acabasse por machucar Alice.
Rapidamente
Alice arrumou uma mochila com algumas roupas e foi ao quarto de
Viviane despedir-se da amiga. Viviane estava dormindo tranquilamente
e assustou-se ao ser acordada tão de repente. Em princípio ela não
queria deixar sua amiga sair assim, de uma hora pra outra em plena
madrugada, para viajar com alguém que elas mal conheciam. Alice
tinha sido muito sucinta e não revelara o real motivo daquela
repentina viagem. Somente depois de Alice jurar que não iria cometer
nenhuma loucura e que ligaria assim que chegasse a um hotel foi que
Viviane, a contragosto, se conformou em deixar sua amiga partir.
Em
pouco tempo os dois já estavam viajando em disparada à procura de
Demétrius e de respostas. Alice sentia muito medo, mas não
conseguia abandonar Matheus. Ela sentia que algo maligno o estava
oprimindo e que sem a sua ajuda ele não conseguiria vencer aquela
luta. Lembrou-se de algumas histórias antigas que seu avô paterno
lhe contara quando ela ainda era criança, mesmo sem a aprovação
dos seus pais, sobre casos de possessão demoníaca que chegavam a
desfigurar as vítimas possuídas. Seus pais diziam que eram lendas
dos antepassados de seus avós e que tudo não passava de bobagens,
mas o seu velho avô jurara que já tinha se deparado com vários
seres sobrenaturais e que inclusive já havia caçado e vencido
algumas dessas aberrações. Ele a tinha presenteado com um amuleto
que ele afirmava ser capaz de enfraquecer os demônios e, um pouco
antes de seu falecimento, a fez prometer que nunca se apartaria
daquele presente. Não sabia o porquê, mas todas aquelas lembranças
voltaram a sua mente enquanto ambos corriam em cima daquela moto.
Por
sorte a cidade em que morava Alice era próxima à cidade onde ambos
encontraram o lobo que iniciou todo aquele pesadelo na vida de
Matheus. Em pouco mais de uma hora eles chegaram ao casarão onde
Matheus imaginava viver Demétrius. Os dois desceram da moto e
dirigiram-se até a porta principal de acesso do imóvel. Já eram
três da manhã quando Matheus tocou a campainha do casarão de
Demétrius. Em pouco tempo o próprio Demétrius estava em pé na
frente deles convidando-os para que entrassem. Matheus não confiava
nele, mas seu desespero não o deixava perder tempo com receios
aparentemente exagerados. Enfim aquilo que Demétrius havia anunciado
se concretizara, Matheus tinha retornado a sua procura para conseguir
respostas.
Estavam
eles numa grande sala de estar. Matheus e Alice sentaram-se em um
luxuoso sofá. Demétrius, Nicole e Elizabeth sentaram-se cada um em
uma poltrona colocada uma ao lado da outra e de frente para o sofá.
Parecia que esperavam pela visita, pois os três estavam vestidos
adequadamente para recebê-los. Alice notara, como toda boa mulher,
que os trajes que as garotas usavam não eram apropriados para
dormir. Eram roupas cheias de bolsos e zíperes, bem coladas, mas que
não lhes limitavam os movimentos e aparentemente reforçadas com
materiais bem resistentes. Pareciam vestidas para pratica de alguma
atividade de intenso esforço físico, como se fizessem parte de
alguma força paramilitar. Já não se podia perceber o que Demétrius
vestia por estar ele usando um longo casaco negro.
Sem
muitos rodeios Demétrius começou a falar:
-
Como esperado, você retornou...
-
Sim. Eu fui amaldiçoado por você e agora me tornei um monstro. –
respondeu Matheus.
-
É realmente uma triste realidade esta sua, garoto. Eu ainda lembro
de meu desespero ao acordar e ver o que Rilathary havia feito à
minha família. Trago comigo esta mágoa entranhada na minha alma.
Mas suponho que você não está interessado no que eu passei e sim
no que está acontecendo com você. Eu imaginei que talvez você não
suportasse a possessão demoníaca e acabasse por ter sua alma
devorada por seu obsessor. Mas vejo que você não é simplório como
eu havia imaginado. Posso dizer que chega a ser uma surpresa que
esteja no domínio de suas faculdades sendo este o seu
primeiro
chamado de Selene.
-
Não diga besteira! Eu matei pessoas inocentes, entre elas meu irmão,
e agora devo estar sendo procurado pela polícia. Estou desesperado!
Eu preciso me livrar dessa maldição...
-
Se livrar da maldição?! Não me faça rir! – interrompeu
Elizabeth. - Você acha que nós gostamos de viver assim?! Eu daria
qualquer coisa para voltar a ser uma pessoa normal. Não pense que
você é o único que sofre. Nós buscamos por anos uma forma de nos
libertar da maldição, mas não encontramos nada que pudesse nos dar
uma mínima esperança que fosse. Essa maldição foi lançada pelos
próprios deuses e não há nada capaz de nos libertar dela.
-
Mas não é possível que não exista uma forma de acabar com esse
pesadelo! – afirmou Alice, tomada por uma esperança infundada. –
Eu acredito que Matheus irá encontrar uma saída. Nós precisamos da
sua ajuda, Demétrius!
-
A única coisa que posso fazer para ajudá-los é lhes passar o
conhecimento que adquiri nesses cento e quarenta anos de existência.
Saibam vocês que somos fruto de um erro cometido há milênios. A
história é muito antiga e muitos dos licantropos afirmam que não
passa de lenda, mas é a única fonte que temos de informação sobre
a origem de nossa maldição, fora algumas lendas de alguns povos,
como os gregos. Não existem muitos relatos escritos do ocorrido,
somente um livro chamado de “O Livro Oculto de Licaon”, que
encontra-se em poder dos principais de nossa condição e que dizem
que foi escrito pelo próprio Licaon séculos depois dos
acontecimentos por ele narrados. Segundo dizem os mais antigos, que
tiveram o privilegio de colocar seus olhos sobre suas páginas, o
livro relata a existência, numa região situada aproximadamente
entre a Bulgária e Turquia, de um povo que cultuava a natureza e que
vivia intensamente integrada aos demais seres vivos. Eles acreditavam
em vários deuses e adoravam os espíritos da floresta.
Demétrius
mantinha seu olhar distante enquanto falava sobre a lenda de Licaon:
-
Conta essa lenda que os deuses os amavam e lhes presentearam com uma
habilidade única entre os homens: a transmutação. Todos os
indivíduos daquele povo conseguiam transmutar-se em um animal que
com eles tivessem afinidade. Essa é a raiz de algumas mitologias de
antropomorfismo em várias culturas pelo mundo, inclusive nos povos
indígenas da América. Esse povo era respeitado entre todos os
demais e conseguiu grande poder. No entanto havia uma proibição a
eles dada diretamente pelos deuses: somente usariam sua forma
transmutada em casos de extrema necessidade, como quando em risco de
suas vidas. Aconteceu que entre eles viveu um rei chamado Licaon.
Esse rei era forte e destemido e também muito amado por seu povo.
Ele tinha a capacidade de transmutar-se em um grande lobo branco e
conseguia correr grandes distâncias nessa forma. Segundo o livro,
Licaon, querendo agradar aos deuses, construiu um grande templo onde
diariamente fazia oferendas. Dentre todos os deuses daquele povo
havia um que Licaon não cultuava, seu nome era Astaroth, o deus da
vaidade. Acontece que Licaon tinha medo de ser tomado pela vaidade
por ser grande o seu poder e força. Mas Astaroth, indignado pelo
desprezo de Licaon, deu vida a um plano para destruí-lo. Fingindo
ser Selene, a deusa Lua, Astaroth pediu que Licaon lhe trouxesse em
sacrifício um animal alado. Licaon pôs-se a caça de uma ave que
pudesse ser oferecida em sacrifício para agradar a Selene. Só que
Astaroth já havia preparado a armadilha para pegar Licaon. Nas
proximidades do templo erguido por Licaon, o deus da vaidade iludiu
uma jovem moça, filha de um dos príncipes daquele povo, para que se
transmutasse e lhe mostrasse seu incrível canto de rouxinol que
tanto lhe aprazia. A jovem, que estava envaidecida pelos elogios de
Astaroth, acabou por desobedecer a proibição dos deuses e
transmutou-se no pássaro. Atraído pelo canto do rouxinol, Licaon
foi ao seu encontro e, não sabendo que se tratava de uma jovem de
seu povo, matou-a com uma flechada no peito. Sem desconfiar do que
tinha feito, Licaon ofereceu o pássaro em sacrifício numa bandeja
de prata, queimando sua carne em oferenda no templo. Ao sentir o
cheiro do sacrifício de Licaon, os deuses desceram em ira sobre ele
pela abominação que havia cometido. Astaroth esperava que Licaon
fosse morto pelos demais deuses ao verem o que ele fizera. Acontece
que os deuses, apesar de indignados com a atitude de Licaon, ainda o
amavam e, para fazer justiça, o amaldiçoaram a viver
permanentemente como lobo. Não conformado com a punição dada,
Astaroth convocou uma assembleia entre os espíritos da floresta para
que Licaon recebesse a maior de todas as punições: a morte. Só que
Astaroth não esperava que, entre os espíritos presentes na
assembleia, estivesse a própria deusa Lua Selene. Ao ouvirem a
história contada por Astaroth os espíritos interrogaram Selene
sobre o ocorrido e ela, de forma veemente, desmentiu a Astaroth,
acusando-o de ser o verdadeiro autor do crime executado por Licaon.
Os espíritos decidiram por acreditar em Selene e Astaroth foi
considerado culpado. O deus da vaidade foi punido com o eterno
exílio, sendo expulso da morada dos deuses. Em revolta com a punição
a ele dada por ter brincado com a vida dos homens, Astaroth alimentou
um ódio mortal por toda a humanidade, julgando que os demais deuses
tinham os homens em maior estima que a ele. Astaroth foi exilado e
carregou com ele uma parte dos espíritos da floreta que o seguia.
Ainda não satisfeito com o destino de Licaon, Astaroth lançou sobre
ele uma maldição. Ele ordenou um de seus mais poderosos
subordinados, chamado Gautargh, possuir o corpo de lobo de Licaon. No
momento que Licaon foi possuído por Gautargh, Astaroth os
amaldiçoou. Licaon estaria eternamente ligado a Gautargh e do fruto
de sua fusão nasceria uma besta meio lobo meio demônio que não
teria outra motivação que não a de exterminar a raça humana.
Dominado por Gautargh, Licaon marchou contra seu próprio reino
mantando todo o seu povo. Grande foi o medo em toda a região. Um
grupo de sacerdotes, amedrontados com os rumores de que Licaon havia
se tornado um monstro descontrolado, organizaram-se e formaram um
pequeno exército para exterminarem a ameaça que se transformara o
antigo grande rei. A caçada foi intensa e grande foi a carnificina
promovida por Licaon. Ao fim de uma grande luta, e de quase se
exterminarem todos do exército dos sacerdotes, o lobo-demônio foi
gravemente ferido com uma lança fincada em seu peito. Sem condições
de prosseguir em sua destruição o monstro recuou fugindo floresta
adentro. Nos domínios dos deuses do povo de Licaon, o demônio não
tinha permissão de ficar. Vendo o que acontecera a Licaon e já
sabendo que seu crime havia sido tramado por Astaroth, os deuses
compadeceram-se do pobre homem e expulsaram Gautargh de seu corpo.
Mas a maldição de Astaroth não poderia ser quebrada por nenhum dos
outros deuses. Sendo assim os deuses deram uma última dádiva a
Licaon. Ele teria novamente a forma de homem e ainda continuaria com
a habilidade de transmutar-se em lobo, mas teria que viver em eterna
luta contra seu demônio obsessor para provar a pureza de sua alma e
de suas intensões. Mas o sangue da jovem assassinada ainda clamava
por justiça. Por isso, com o mesmo metal que o corpo da jovem foi
oferecido em sacrifício, Licaon seria morto.
-
O metal que você está se referindo é a prata. - interrompeu
Matheus.
-
Sim, prata é o que realmente nos atinge. - respondeu Demétriu. -
Mas deixe-me terminar a história. Selene deu-lhe ainda uma dádiva
particular. Sempre que Licaon estivesse sob a sua presença seus
poderes seriam amplificados. Só que essa dádiva acabou mais tarde
provando também ter um lado ruim, pois, na presença da Lua, Licaon
mostrou-se ainda mais suscetível ao controle de Gautargh.
Posteriormente foi descoberto que Astaroth foi especialmente
diabólico em sua maldição contra Licaon, pois cada homem que
conseguisse sobreviver ao ataque do lobo-demônio seria também
contaminado com a mesma maldição, transformando-se em mais um
monstro insano pelo sangue humano. Desse modo, cada um dos espíritos
seguidores de Astaroth tornou-se um obsessor dos “filhos de
Licaon”.
-
E o que aconteceu a Licaon? - perguntou Matheus.
-
Ele sumiu alguns séculos depois, já cansado de tanta carnificina e
morte. E seus “filhos” agora lutam pelo controle desse mundo. -
respondeu Nicole.
-
Então existem outros como nós? - Matheus estava perplexo, ele não
esperava por isso.
-
Você não tem ideia da batalha que está sendo travada em segredo
pelo controle desse mundo. - continuou Demétrius. - Existem dois
grandes grupos de licantropos que se digladiam pela supremacia: os
Licans e os Nightkillers. Alguns licantropos como nós, cansados de
tantas guerras, optaram por isolarem-se e formarem grupos
independentes, mas somos poucos. Os dois grandes grupos nos caçam
tentando nos atrair para os seus efetivos ou vingar nossa deserção.
Vez por outra acabamos por encontrar um informante de algum desses
grupos e somos obrigados, para nossa própria segurança, a
eliminá-los. Aquela noite que nos encontramos, estávamos em
perseguição a um informante dos Nightkillers, o mais sanguinário
dos dois grupos. Infelizmente o informante era bem forte e acabamos
por nos desgastar demais para conseguir eliminá-lo. Por isso quase
perdi o controle e acabei atacando você, Matheus. Quando deixamos
que o obsessor assuma as rédeas, tornamo-nos um monstro sem limites.
Diz-se que entramos em frenesi. Eu particularmente prometi a mim
mesmo nunca mais permitir que Rilathary submerja de dentro do meu
ser. Mas confesso que não é uma promessa fácil de se cumprir.
-
Mas você não estava na forma de um lobo-demônio. Eu lembro bem,
você era um lobo enorme, mas não parecia-se com um demônio. -
afirmou Matheus.
-
Nós podemos transmutar-nos em lobo assim como nosso antecessor
Licaon. Essa habilidade foi a última dádiva que os deuses
transmitiram aos amaldiçoados. Você também possui essa habilidade,
Matheus. Mas claro que você precisa descobrir como dominá-la. -
respondeu Nicole. - Nossa habilidade independe do domínio dos
obsessores. O que não podemos é entrar em frenesi porque isso
acarretaria numa transformação horrenda.
-
Mas confesso, Matheus, que a sua presença me trouxe uma pequena
esperança. - interrompeu Demétrius. - Nós constatamos que existe
ao seu redor uma força que repele os demônios que nos oprimem.
Ainda não sei ao certo porque isso acontece, nem qual a sua
verdadeira causa, mas nunca antes tinha presenciado tal fenômeno.
Acredito que, se existe uma forma de nos libertarmos do poder dos
obsessores, ela tem relação com esse poder misterioso. Agora mesmo
sinto que os espíritos demoníacos estão mais fracos.
-
Eu desconfio, Demétrius, que esse poder não tem sua origem em
Matheus. - falou Elizabeth, levantando e aproximando-se dos dois
visitantes. - Eu sinto que esse poder está sendo emanado dessa
garota. - Elizabeth olhava fixamente para Alice.
-
Mas como? Como uma garota comum como ela poderia ter tal poder contra
os demônios obsessores? - indagou surpreendido Demétrius. - Ela é
só uma menina! Que absurdo é este que você está falando agora,
Elizabeth?
-
Você ainda não notou o desenho que ela traz gravado em seu pulso,
Demétrius? Ela traz tatuado no pulso a Chamsa. Acho que essa garota
é uma Gadol!

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