sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

LdS - Livro I - Capítulo 9 - Revelações



Foram mais de cinco horas de viagem até a cidade onde Alice morava. Matheus lutou intensamente, durante todo o trajeto, com seus pensamentos e também contra as investidas de Shaladiel. O demônio tinha uma presença de espírito muito forte. Foi com grande dificuldade que Matheus conduziu sua moto durante toda aquela viagem.

Assim que achou a localização do prédio, Matheus ligou para Alice. Estava ainda muito nervoso e isso transparecia em sua voz:

- Eu acabei de chegar! Tem como você descer para podermos conversar?

- Nossa, Matheus! Já passou de uma da madrugada. Você não está cansado? Não quer dormir um pouco?

- Não tenho tempo pra perder, Alice. Eu não sei bem quanto tempo mais eu tenho ainda. Vim o mais rápido que eu consegui porque queria muito te ver. Eu tenho que falar contigo, é urgente!

- Sei,... mas você não quer subir, então? A gente pode conversar aqui em casa mesmo. Viviane está dormindo. Não vamos ser incomodados...

- Bem, se é isso que você quer, então estou subindo.

Matheus subiu até o apartamento de Alice. Ela esperava-o também muito aflita. Em pouco tempo Matheus estava batendo em sua porta. Ela abriu rapidamente e logo os dois estavam abraçados beijando-se. Ele a abraçou com muita força como se ela fosse a sua salvação, tentando agarrar-se ao único fio de esperança que ainda lhe restava. Alice sentia que algo de muito grave havia acontecido com Matheus.

Passado o primeiro momento do reencontro, Matheus começou a contar-lhe tudo o que vinha acontecendo com ele desde o episódio com o lobo. Ele contou-lhe sobre seu delírio no hospital, sobre como Demétrius havia se comunicado com ele usando de telepatia e da visita inesperada na pousada. E de forma dolorosa, contou-lhe tudo o que ocorrera naquela noite da sua transformação: a possessão de Shaladiel, o assassinato de todas aquelas pessoas, inclusive de seu irmão Henrique. Ao fim de todo o relato de Matheus ele estava esgotado emocionalmente por ter que relembrar todas aquelas atrocidades.

Alice ouviu tudo calada e atônita. Não queria acreditar naquilo que Matheus lhe contara. Seus olhos estavam molhados e em pouco tempo lágrimas e mais lágrimas começaram a brotar deles. Alice não sabia como consolá-lo. Ela também sofria ao saber de tudo o que Matheus tinha passado. Esse era um daqueles momentos em que se deseja ter o poder de voltar no tempo para se consertar o que deu errado. Era isso que ela desejava: acabar com o sofrimento de Matheus. Sem saber ao certo como proceder ela o abraçou. Alice ainda chorava muito. E ele, mesmo sem ela ter-lhe dito uma palavra sequer, já sentia seu coração menos atormentado. O calor do amor de Alice o estava aquecendo, lhe dando novas forças. Ela não o abandonara, ele não estava sozinho.

Talvez ainda exista esperanças para mim...”, pensava Matheus.

Ele não esperava que ela o apoiasse, nem mesmo que acreditasse em todos aqueles absurdos que tinha dito, mas o fato foi que Alice o acolheu e isso foi a salvação de Matheus. Agora ele tinha um motivo para lutar, tinha uma razão para tentar se libertar daquela maldição. Ele achara a força para continuar e ela vinha de Alice.

Depois que os dois se recuperaram dos fortes momentos de emoção, ambos dedicaram-se a achar uma saída para Matheus. Concordaram que o melhor a fazer seria irem ao encontro de Demétrius procurar por respostas. Mesmo sem a aprovação de Matheus, Alice insistiu que iria junto. Eles deveriam agir rápido porque Matheus não sabia por quanto tempo ele conseguiria manter Shaladiel sob controle. Naquele momento em que os dois estavam juntos, para sua surpresa, o demônio parecia ter ido embora. Matheus sentia-se realmente aliviado com isso. Mas mesmo assim, ele tinha medo que Shaladiel retornasse e acabasse por machucar Alice.

Rapidamente Alice arrumou uma mochila com algumas roupas e foi ao quarto de Viviane despedir-se da amiga. Viviane estava dormindo tranquilamente e assustou-se ao ser acordada tão de repente. Em princípio ela não queria deixar sua amiga sair assim, de uma hora pra outra em plena madrugada, para viajar com alguém que elas mal conheciam. Alice tinha sido muito sucinta e não revelara o real motivo daquela repentina viagem. Somente depois de Alice jurar que não iria cometer nenhuma loucura e que ligaria assim que chegasse a um hotel foi que Viviane, a contragosto, se conformou em deixar sua amiga partir.

Em pouco tempo os dois já estavam viajando em disparada à procura de Demétrius e de respostas. Alice sentia muito medo, mas não conseguia abandonar Matheus. Ela sentia que algo maligno o estava oprimindo e que sem a sua ajuda ele não conseguiria vencer aquela luta. Lembrou-se de algumas histórias antigas que seu avô paterno lhe contara quando ela ainda era criança, mesmo sem a aprovação dos seus pais, sobre casos de possessão demoníaca que chegavam a desfigurar as vítimas possuídas. Seus pais diziam que eram lendas dos antepassados de seus avós e que tudo não passava de bobagens, mas o seu velho avô jurara que já tinha se deparado com vários seres sobrenaturais e que inclusive já havia caçado e vencido algumas dessas aberrações. Ele a tinha presenteado com um amuleto que ele afirmava ser capaz de enfraquecer os demônios e, um pouco antes de seu falecimento, a fez prometer que nunca se apartaria daquele presente. Não sabia o porquê, mas todas aquelas lembranças voltaram a sua mente enquanto ambos corriam em cima daquela moto.

Por sorte a cidade em que morava Alice era próxima à cidade onde ambos encontraram o lobo que iniciou todo aquele pesadelo na vida de Matheus. Em pouco mais de uma hora eles chegaram ao casarão onde Matheus imaginava viver Demétrius. Os dois desceram da moto e dirigiram-se até a porta principal de acesso do imóvel. Já eram três da manhã quando Matheus tocou a campainha do casarão de Demétrius. Em pouco tempo o próprio Demétrius estava em pé na frente deles convidando-os para que entrassem. Matheus não confiava nele, mas seu desespero não o deixava perder tempo com receios aparentemente exagerados. Enfim aquilo que Demétrius havia anunciado se concretizara, Matheus tinha retornado a sua procura para conseguir respostas.

Estavam eles numa grande sala de estar. Matheus e Alice sentaram-se em um luxuoso sofá. Demétrius, Nicole e Elizabeth sentaram-se cada um em uma poltrona colocada uma ao lado da outra e de frente para o sofá. Parecia que esperavam pela visita, pois os três estavam vestidos adequadamente para recebê-los. Alice notara, como toda boa mulher, que os trajes que as garotas usavam não eram apropriados para dormir. Eram roupas cheias de bolsos e zíperes, bem coladas, mas que não lhes limitavam os movimentos e aparentemente reforçadas com materiais bem resistentes. Pareciam vestidas para pratica de alguma atividade de intenso esforço físico, como se fizessem parte de alguma força paramilitar. Já não se podia perceber o que Demétrius vestia por estar ele usando um longo casaco negro.

Sem muitos rodeios Demétrius começou a falar:

- Como esperado, você retornou...

- Sim. Eu fui amaldiçoado por você e agora me tornei um monstro. – respondeu Matheus.

- É realmente uma triste realidade esta sua, garoto. Eu ainda lembro de meu desespero ao acordar e ver o que Rilathary havia feito à minha família. Trago comigo esta mágoa entranhada na minha alma. Mas suponho que você não está interessado no que eu passei e sim no que está acontecendo com você. Eu imaginei que talvez você não suportasse a possessão demoníaca e acabasse por ter sua alma devorada por seu obsessor. Mas vejo que você não é simplório como eu havia imaginado. Posso dizer que chega a ser uma surpresa que esteja no domínio de suas faculdades sendo este o seu
primeiro chamado de Selene.

- Não diga besteira! Eu matei pessoas inocentes, entre elas meu irmão, e agora devo estar sendo procurado pela polícia. Estou desesperado! Eu preciso me livrar dessa maldição...

- Se livrar da maldição?! Não me faça rir! – interrompeu Elizabeth. - Você acha que nós gostamos de viver assim?! Eu daria qualquer coisa para voltar a ser uma pessoa normal. Não pense que você é o único que sofre. Nós buscamos por anos uma forma de nos libertar da maldição, mas não encontramos nada que pudesse nos dar uma mínima esperança que fosse. Essa maldição foi lançada pelos próprios deuses e não há nada capaz de nos libertar dela.

- Mas não é possível que não exista uma forma de acabar com esse pesadelo! – afirmou Alice, tomada por uma esperança infundada. – Eu acredito que Matheus irá encontrar uma saída. Nós precisamos da sua ajuda, Demétrius!

- A única coisa que posso fazer para ajudá-los é lhes passar o conhecimento que adquiri nesses cento e quarenta anos de existência. Saibam vocês que somos fruto de um erro cometido há milênios. A história é muito antiga e muitos dos licantropos afirmam que não passa de lenda, mas é a única fonte que temos de informação sobre a origem de nossa maldição, fora algumas lendas de alguns povos, como os gregos. Não existem muitos relatos escritos do ocorrido, somente um livro chamado de “O Livro Oculto de Licaon”, que encontra-se em poder dos principais de nossa condição e que dizem que foi escrito pelo próprio Licaon séculos depois dos acontecimentos por ele narrados. Segundo dizem os mais antigos, que tiveram o privilegio de colocar seus olhos sobre suas páginas, o livro relata a existência, numa região situada aproximadamente entre a Bulgária e Turquia, de um povo que cultuava a natureza e que vivia intensamente integrada aos demais seres vivos. Eles acreditavam em vários deuses e adoravam os espíritos da floresta.
Demétrius mantinha seu olhar distante enquanto falava sobre a lenda de Licaon:

- Conta essa lenda que os deuses os amavam e lhes presentearam com uma habilidade única entre os homens: a transmutação. Todos os indivíduos daquele povo conseguiam transmutar-se em um animal que com eles tivessem afinidade. Essa é a raiz de algumas mitologias de antropomorfismo em várias culturas pelo mundo, inclusive nos povos indígenas da América. Esse povo era respeitado entre todos os demais e conseguiu grande poder. No entanto havia uma proibição a eles dada diretamente pelos deuses: somente usariam sua forma transmutada em casos de extrema necessidade, como quando em risco de suas vidas. Aconteceu que entre eles viveu um rei chamado Licaon. Esse rei era forte e destemido e também muito amado por seu povo. Ele tinha a capacidade de transmutar-se em um grande lobo branco e conseguia correr grandes distâncias nessa forma. Segundo o livro, Licaon, querendo agradar aos deuses, construiu um grande templo onde diariamente fazia oferendas. Dentre todos os deuses daquele povo havia um que Licaon não cultuava, seu nome era Astaroth, o deus da vaidade. Acontece que Licaon tinha medo de ser tomado pela vaidade por ser grande o seu poder e força. Mas Astaroth, indignado pelo desprezo de Licaon, deu vida a um plano para destruí-lo. Fingindo ser Selene, a deusa Lua, Astaroth pediu que Licaon lhe trouxesse em sacrifício um animal alado. Licaon pôs-se a caça de uma ave que pudesse ser oferecida em sacrifício para agradar a Selene. Só que Astaroth já havia preparado a armadilha para pegar Licaon. Nas proximidades do templo erguido por Licaon, o deus da vaidade iludiu uma jovem moça, filha de um dos príncipes daquele povo, para que se transmutasse e lhe mostrasse seu incrível canto de rouxinol que tanto lhe aprazia. A jovem, que estava envaidecida pelos elogios de Astaroth, acabou por desobedecer a proibição dos deuses e transmutou-se no pássaro. Atraído pelo canto do rouxinol, Licaon foi ao seu encontro e, não sabendo que se tratava de uma jovem de seu povo, matou-a com uma flechada no peito. Sem desconfiar do que tinha feito, Licaon ofereceu o pássaro em sacrifício numa bandeja de prata, queimando sua carne em oferenda no templo. Ao sentir o cheiro do sacrifício de Licaon, os deuses desceram em ira sobre ele pela abominação que havia cometido. Astaroth esperava que Licaon fosse morto pelos demais deuses ao verem o que ele fizera. Acontece que os deuses, apesar de indignados com a atitude de Licaon, ainda o amavam e, para fazer justiça, o amaldiçoaram a viver permanentemente como lobo. Não conformado com a punição dada, Astaroth convocou uma assembleia entre os espíritos da floresta para que Licaon recebesse a maior de todas as punições: a morte. Só que Astaroth não esperava que, entre os espíritos presentes na assembleia, estivesse a própria deusa Lua Selene. Ao ouvirem a história contada por Astaroth os espíritos interrogaram Selene sobre o ocorrido e ela, de forma veemente, desmentiu a Astaroth, acusando-o de ser o verdadeiro autor do crime executado por Licaon. Os espíritos decidiram por acreditar em Selene e Astaroth foi considerado culpado. O deus da vaidade foi punido com o eterno exílio, sendo expulso da morada dos deuses. Em revolta com a punição a ele dada por ter brincado com a vida dos homens, Astaroth alimentou um ódio mortal por toda a humanidade, julgando que os demais deuses tinham os homens em maior estima que a ele. Astaroth foi exilado e carregou com ele uma parte dos espíritos da floreta que o seguia. Ainda não satisfeito com o destino de Licaon, Astaroth lançou sobre ele uma maldição. Ele ordenou um de seus mais poderosos subordinados, chamado Gautargh, possuir o corpo de lobo de Licaon. No momento que Licaon foi possuído por Gautargh, Astaroth os amaldiçoou. Licaon estaria eternamente ligado a Gautargh e do fruto de sua fusão nasceria uma besta meio lobo meio demônio que não teria outra motivação que não a de exterminar a raça humana. Dominado por Gautargh, Licaon marchou contra seu próprio reino mantando todo o seu povo. Grande foi o medo em toda a região. Um grupo de sacerdotes, amedrontados com os rumores de que Licaon havia se tornado um monstro descontrolado, organizaram-se e formaram um pequeno exército para exterminarem a ameaça que se transformara o antigo grande rei. A caçada foi intensa e grande foi a carnificina promovida por Licaon. Ao fim de uma grande luta, e de quase se exterminarem todos do exército dos sacerdotes, o lobo-demônio foi gravemente ferido com uma lança fincada em seu peito. Sem condições de prosseguir em sua destruição o monstro recuou fugindo floresta adentro. Nos domínios dos deuses do povo de Licaon, o demônio não tinha permissão de ficar. Vendo o que acontecera a Licaon e já sabendo que seu crime havia sido tramado por Astaroth, os deuses compadeceram-se do pobre homem e expulsaram Gautargh de seu corpo. Mas a maldição de Astaroth não poderia ser quebrada por nenhum dos outros deuses. Sendo assim os deuses deram uma última dádiva a Licaon. Ele teria novamente a forma de homem e ainda continuaria com a habilidade de transmutar-se em lobo, mas teria que viver em eterna luta contra seu demônio obsessor para provar a pureza de sua alma e de suas intensões. Mas o sangue da jovem assassinada ainda clamava por justiça. Por isso, com o mesmo metal que o corpo da jovem foi oferecido em sacrifício, Licaon seria morto.
- O metal que você está se referindo é a prata. - interrompeu Matheus.
- Sim, prata é o que realmente nos atinge. - respondeu Demétriu. - Mas deixe-me terminar a história. Selene deu-lhe ainda uma dádiva particular. Sempre que Licaon estivesse sob a sua presença seus poderes seriam amplificados. Só que essa dádiva acabou mais tarde provando também ter um lado ruim, pois, na presença da Lua, Licaon mostrou-se ainda mais suscetível ao controle de Gautargh. Posteriormente foi descoberto que Astaroth foi especialmente diabólico em sua maldição contra Licaon, pois cada homem que conseguisse sobreviver ao ataque do lobo-demônio seria também contaminado com a mesma maldição, transformando-se em mais um monstro insano pelo sangue humano. Desse modo, cada um dos espíritos seguidores de Astaroth tornou-se um obsessor dos “filhos de Licaon”.

- E o que aconteceu a Licaon? - perguntou Matheus.

- Ele sumiu alguns séculos depois, já cansado de tanta carnificina e morte. E seus “filhos” agora lutam pelo controle desse mundo. - respondeu Nicole.

- Então existem outros como nós? - Matheus estava perplexo, ele não esperava por isso.

- Você não tem ideia da batalha que está sendo travada em segredo pelo controle desse mundo. - continuou Demétrius. - Existem dois grandes grupos de licantropos que se digladiam pela supremacia: os Licans e os Nightkillers. Alguns licantropos como nós, cansados de tantas guerras, optaram por isolarem-se e formarem grupos independentes, mas somos poucos. Os dois grandes grupos nos caçam tentando nos atrair para os seus efetivos ou vingar nossa deserção. Vez por outra acabamos por encontrar um informante de algum desses grupos e somos obrigados, para nossa própria segurança, a eliminá-los. Aquela noite que nos encontramos, estávamos em perseguição a um informante dos Nightkillers, o mais sanguinário dos dois grupos. Infelizmente o informante era bem forte e acabamos por nos desgastar demais para conseguir eliminá-lo. Por isso quase perdi o controle e acabei atacando você, Matheus. Quando deixamos que o obsessor assuma as rédeas, tornamo-nos um monstro sem limites. Diz-se que entramos em frenesi. Eu particularmente prometi a mim mesmo nunca mais permitir que Rilathary submerja de dentro do meu ser. Mas confesso que não é uma promessa fácil de se cumprir.

- Mas você não estava na forma de um lobo-demônio. Eu lembro bem, você era um lobo enorme, mas não parecia-se com um demônio. - afirmou Matheus.

- Nós podemos transmutar-nos em lobo assim como nosso antecessor Licaon. Essa habilidade foi a última dádiva que os deuses transmitiram aos amaldiçoados. Você também possui essa habilidade, Matheus. Mas claro que você precisa descobrir como dominá-la. - respondeu Nicole. - Nossa habilidade independe do domínio dos obsessores. O que não podemos é entrar em frenesi porque isso acarretaria numa transformação horrenda.

- Mas confesso, Matheus, que a sua presença me trouxe uma pequena esperança. - interrompeu Demétrius. - Nós constatamos que existe ao seu redor uma força que repele os demônios que nos oprimem. Ainda não sei ao certo porque isso acontece, nem qual a sua verdadeira causa, mas nunca antes tinha presenciado tal fenômeno. Acredito que, se existe uma forma de nos libertarmos do poder dos obsessores, ela tem relação com esse poder misterioso. Agora mesmo sinto que os espíritos demoníacos estão mais fracos.

- Eu desconfio, Demétrius, que esse poder não tem sua origem em Matheus. - falou Elizabeth, levantando e aproximando-se dos dois visitantes. - Eu sinto que esse poder está sendo emanado dessa garota. - Elizabeth olhava fixamente para Alice.

- Mas como? Como uma garota comum como ela poderia ter tal poder contra os demônios obsessores? - indagou surpreendido Demétrius. - Ela é só uma menina! Que absurdo é este que você está falando agora, Elizabeth?

- Você ainda não notou o desenho que ela traz gravado em seu pulso, Demétrius? Ela traz tatuado no pulso a Chamsa. Acho que essa garota é uma Gadol!

Nesse instante um estrondo interrompeu a conversa. Alguém ou alguma coisa havia arrombado a janela de um dos quartos no andar superior do casarão de Demétrius. Eles não sabiam, mas haviam sido descobertos. Os Nightkillers haviam enfim achado seu esconderijo.

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