Hecatombe

HECATOMBE


Livro 1 - Calafrios


Prólogo

Este relato faz parte do “Livros dos Tempos Mais Remotos”, também chamado de “Livro do Princípio das Coisas” escrito por Metatron.

O Primordial

No princípio só existia “Ele”, nada mais. Sua existência é anterior ao tempo, ao espaço, ao vazio. No princípio existia apenas “Ele” e nada mais.

Tudo o mais que agora conhecemos como Universo foi criado por “Ele”, por isso O chamamos de “o Primordial”. Desde a luz, até o vácuo, tudo foi obra da ação Dele. Todas as estrelas, planetas e cometas tiveram a sua origem Nele. E em cada novo elemento criado ficou parte de Sua energia e de Sua essência. Assim “Ele” fez, criou o Universo e doou a ele a Sua energia, a Sua essência, sendo que o próprio Universo se confunde com “Ele” e Dele não pode ser separado.

Os Primeiros Filhos

Visto que Sua obra havia terminado, quis “Ele” que outras consciências se maravilhassem com sua criação e usufruíssem de suas graças. Foi por isso, porque “Ele” quis compartilhar sua alegria que outros seres inteligentes foram criados. E foram criados assim como foram criadas as outras coisas do Universo, sendo como “Ele”, possuindo uma parcela do Seu poder em sua essência. E a eles deu uma dádiva nova, a liberdade, e os mostrou as maravilhas de Sua criação e eles se maravilharam. Assim foram criados os Primeiros Filhos Dele, livres como “Ele”, e possuidores de grande poder, poder esse que originalmente era somente Dele.

E por vários séculos o Universo esteve em harmonia. E os Primeiros Filhos cresceram muito em poder e conhecimento da natureza do Universo. Agora “Ele” não estava mais sozinho, tinha muitos para ensinar. E ainda mais coisas “Ele” criou e mais do Seu poder assim “Ele” dissipou. E agora “Ele” se confundia com sua criação e não se podia mais distinguir o que era “Ele” e o que era a criação. Assim toda a criação, que fazia parte Dele, e era também por isso “Ele”, consumiu sua essência e “Ele” acabou por deixar seus filhos se governarem para poder à Sua obra dedicar-se. Portanto todas as forças que mantém tudo o que existe como é são obras Dele.

A Grande Rebelião

E então aconteceu a tragédia, e tudo o que antes era perfeito na sua origem agora encontra-se modificado. A Grande Rebelião aconteceu e um de Seus filhos foi quem a originou. Grande era o poder e conhecimento do rebelde, mas sua ganância e arrogância eram maiores ainda. O mais alto dentre os Primeiros Filhos cresceu tanto em força e conhecimento que achou que poderia superar até mesmo a “Ele”, Aquele que era antes de tudo.

Durante algum tempo o mais alto dentre os Primeiros Filhos conseguiu reunir seguidores conseguindo levar para si a terça parte dentre todos os Primeiros Filhos. Ele descobriu como se apossar do poder presente nas obras do Primordial. Destruindo aquilo que “Ele” criara, o mais alto dentre os Primeiros Filhos aprendeu a absorver o poder presente em cada elemento de forma que seu poder aumentou ainda mais. Mas o Primordial, que enxerga antes de todos, viu a obra que o Seu mais poderoso filho estava realizando e convocou todos o outros que ainda eram fiéis a “Ele” para que persuadissem o líder da rebelião a sessar com o mal que estava causando. Todavia ninguém conseguiu convencê-lo de sua loucura e pela primeira vez ouve luta entre os Primeiros Filhos. Durante a contenda, sete dentre os fiéis a “Ele” destacaram-se na batalha liderando os ainda fiéis e conseguiram subjugar as forças rebeldes expulsando-os da morada dos Primeiros Filhos. E maior que sua arrogância foi a sua queda porque quanto mais alto se sobe, também de mais alto se despenca e maior é a ruína. O rebelde e seus seguidores fugiram e resolveram habitar outros confins do Universo. Mas “Ele” enxerga até os limites mais longínquos de sua obra e viu que as contendas não haveriam de sessar tão rapidamente. 

Os Posteriores

Após a Grande Rebelião, “Ele” viu como a forma gloriosa de seus primogênitos os levaram à arrogância e perdição. Assim resolveu não mais criar seres como “Ele”. Assim nasceu em seu íntimo a idéia de criar seres com natureza mais simples e densa, feitos de matéria concreta. Não queria “Ele” que seus novos filhos caíssem como os seus primogênitos por causa da vaidade e soberba. Assim foi que o Primordial fez aparecer no Universo toda a forma de vida material, feita de matéria sólida, matéria densa. E em vários de seus planetas colocou novos seres com essa natureza.

E mais uma vez veio o desejo e ter criaturas para educar. Foi então que, usando todo o grande poder que ainda Lhe fazia independente do Universo, “Ele” criou os Novos Filhos, a quem chamamos de Posteriores. E os fez também de matéria sólida, densa, mas dotou-os, assim como fez conosco, de liberdade e consciência. E para que não nos sentíssemos ainda mais vaidosos e tão superiores aos Posteriores, “Ele” doou para eles também parte de seu poder e fê-los de uma natureza capaz de se transformar até ao ponto de igualarem-se em poder aos Primeiros Filhos. Assim “Ele” teve o cuidado de fazê-los ter que evoluir e galgar várias etapas para só então conseguirem o entendimento e domínio das coisas do Universo. Grande em sabedoria é “Ele”.

Tal foi o desprendimento de poder que “Ele” acabou com a última centelha de energia que o tornava independente de sua criação, o Universo. Assim “Ele” e o Universo tornaram-se um, sem haver separação entre ambos e nós, os Primeiros Filhos, ficamos com a incumbência de educar os Posteriores e de acabar com a divisão de poderes que agora existe no Universo. Dessa forma, poderemos resgatar para “Ele” o poder que Lhe fora roubado pelo Rebelde e mais um vez torná-lo independente de sua criação.

Esse é o nosso maior desejo, ter novamente a presença “dEle” entre nós.



Capítulo 1 – A garota com olhos de tempestade


Amsterdã, 13 de novembro de 2009.

Dentro da UvA (Universiteit van Amsterdam - Universidade de Masterdã), no Departamento de Física, um jovem observa com fascínio as fotos tiradas por ele mesmo, há poucas horas atrás, de um dos telescópios pertencentes ao observatório da universidade. A imagem era realmente fascinante, já que parecia que ele conseguira fotografar um meteorito que, segundo cálculos feitos pelo próprio jovem, caíra bem próximo do campus.

Apesar de ainda ser seis da manhã, Samuel já estava acordado por toda aquela madrugada observando os céus à procura de algo, mas sem saber o quê. Apenas fazia aquilo atendendo a um grande desejo que, vez por outra, aparecia incontrolavelmente em seu íntimo. Normalmente ele resistia a esses impulsos, mas não se lembrava da última vez em que, seguindo tal pressentimento, não se deparara com algo fascinante para observar. A última vez que isso ocorrera foi no início do ano passado, quando ainda morava com seus pais no Brasil, que ele, numa noite super quente de verão, cedeu a uma vontade incontrolável de correr às três da manhã num parque próximo de sua casa e acabou por presenciar no céu uma chuva de meteoritos que durou cerca de um minuto. Ele não sabia explicar como conseguia pressentir esses fenômenos, mas sabia que, tanto essa habilidade quanto outra ainda mais espantosa que ele possuía, eram coisas que não podia contar para ninguém por medo de acabar por parecer ridículo ou até mesmo louco.

Fora essas habilidades, Samuel era um jovem aparentemente normal. Era branco, tinha cabelos castanhos e cacheados, olhos também castanhos com grandes cílios que davam a ele uma ar amigável. Tinha boa estatura, cerca de 182 centímetros, e uma estrutura corporal condizente com a atividade que mais se dedicara ao longo de sua vida, depois da física e da astronomia, a natação. Possuía ombros largos e músculos definidos, apesar de ainda não ter conseguido arranjar um tempo livre em seu mestrado para poder voltar à pratica desse esporte. Seu rosto era agradável, com um nariz afilado, uma boca com lábios não muito finos e dentes impecavelmente brancos. Definitivamente não sentia dificuldade em conseguir uma boa companhia em uma eventual balada que viesse participar.

Apesar de estar morando em Amsterdã já há dez meses, ainda sentia um pouco de dificuldade com o holandês e, algumas vezes, acabava por usar o velho e habitual português para esbravejar uns bons palavrões quando se irritava excessivamente com algum de seus companheiros da turma de mestrado, o que lhe poupava algumas dores de cabeça por ser o único que entendia português naquele lugar.

Havia escolhido fazer seu mestrado em outro país exatamente para poder conhecer outras culturas e também para ficar um período longe do Brasil e de uma pessoa que definitivamente ele queria esquecer. Samuel era ruim em lidar com sentimentos e isso já havia lhe custado alguns bons relacionamentos. Mas seu último rompimento, e o vazio deixado por Vanessa, fora bastante doloroso para ele, e também preponderante para sua decisão de ir morar na Holanda.

Agora ele passava seus dias mergulhado em estudos. Vez por outra ia ao observatório ficar um tempo observando o céu, algo que ele sempre fizera desde a sua infância. Era difícil para ele explicar, mas Samuel sentia-se como parte daquele imenso céu estrelado e algumas vezes chegara a sonhar com outros planetas e galáxias e com seres feitos de um material bem mais volúvel que o nosso, quase como espectros. Apesar de todas essas sensações inexplicáveis que sentia, e provavelmente pelo sentimento de frustração em não conseguir explicá-las, ele tornou-se uma pessoa altamente cética e materialista. Bem diferente de sua mãe que, mesmo sem frequentar nenhuma comunidade religiosa, mostrava-se uma pessoa crédula das coisas sobrenaturais.

Aquela era a manhã de uma sexta-feira, e Samuel acabara sentindo novamente aquela sensação que tanto o incomodara, mas que ele não conseguia livrar-se por mais que tentasse. E, por ter cedido àquele sentimento, é que agora estava a observar várias fotos curiosas que tirara do tal meteorito. Muitas das fotos foram tiradas com uma impressionante nitidez e, exatamente por isso, essas fotos eram as merecedoras de sua maior atenção. Por mais que ele resistisse a tais pensamentos, que para ele mais pareciam devaneios, as tais fotos do meteorito, ao serem observadas com um generoso zoom, davam a impressão de se tratar de uma silhueta de uma pessoa que, em queda livre, dirigia-se ao solo terrestre numa velocidade impressionante. Lógico que ele se negava até mesmo a concordar com tal semelhança, quanto mais a mostrar tais fotos a outra pessoa. Aqueles eram pensamentos ridículos que ele preferia ignorar. Apesar de todo seu ceticismo, preferiu guardar as tais fotos e resguardou suas curiosas impressões apenas para si.

Agora já estava chegando o horário de início das aulas e ainda teria que comer alguma coisa de café da manhã para só depois começar seu pesado dia de estudos naquela universidade. Rapidamente vestiu seu casaco, colocou seus óculos e foi ao restaurante do campus atrás de um quente e amargo copo de café expresso.

******

São 11:00 da manhã e Samuel encontra-se na biblioteca à procura de mais livros de física moderna sobre antimatéria para uma pesquisa quando o professor de astronomia Arthur Michels, responsável pelo observatório da UvA, entra no prédio à sua procura, ao seu lado está o reitor da universidade, o Prof. Dr. Ivo Rensenbrink. O rapaz percebe que ambos esboçam certo alívio ao encontrá-lo:

-Enfim conseguimos encontrá-lo, meu rapaz! - fala Michels com um sorriso no rosto. - Fomos contatados pelo órgão do governo que faz pesquisas espaciais, o SRON, para que fornecêssemos material sobre a queda de um meteorito que caiu nas proximidades de nosso campus nessa madrugada. Como você pediu-me para ficar toda essa noite fazendo observações, tenho esperanças que você tenha conseguido registrar esse fenômeno. Estou correto?

-Bem, Prof. Michels, consegui visualizar sim o momento da queda do meteorito, mas infelizmente não consegui registrar nada. A câmera instalada no telescópio que usava no momento estava sem filme e acabei perdendo a oportunidade de fotografá-lo. - respondeu Samuel sem entender qual importância poderia ter aquele pequeno meteorito para o SRON.

-Mas como pode isso?! - esbravejou o reitor. - Nosso observatório ainda utiliza câmeras analógicas!?

-Bem, Prof. Rensenbrink, nem todos o telescópios de nosso observatório possuem câmeras digitais e, para o seu conhecimento, sou usuário das câmeras analógicas e até as prefiro em detrimento das digitais. - explicou o Prof. Michels.

-Pois então agora o senhor faça o favor de dar as desculpas à jovem pesquisadora do SRON que veio aqui procurar pelo material de nosso observatório. Eu me recuso a ter que dar uma desculpa dessas! - o Prof. Rensenbrink continuava inconformado.

-Ao menos você poderia nos acompanhar para conversar com a jovem do SRON a fim de tentar contribuir com alguma coisa que seja fruto da sua observação, caro Samuel? - solicitou cordialmente o Prof. Michels. Ele e Samuel eram amigos e conversavam frequentemente sobre astronomia.

-Sim, claro! Ficarei feliz em ser útil para a universidade. - respondeu Samuel que tentava ajudar seu amigo a sair sem maiores problemas daquela situação.

Samuel havia mentido sobre não ter conseguido registros do meteorito, já que tinha conseguido boas fotos. Não entendia porquê, mas alguma coisa lhe dizia para não revelar aquelas fotos para qualquer pessoa. Por isso mesmo a mentira. E ainda convencido disto foi ele ao encontro da pesquisadora do SRON que também interessara-se pela tal rocha do espaço.

Em menos de dez minutos já estavam os dois, Samuel e o Prof. Michels, no observatório esperando que Rensenbrink chegasse com a tal pesquisadora do SRON para que ela pudesse fazer as suas perguntas.

Em pouco tempo os dois que faltavam adentraram o observatório. A impressão de encantamento foi impossível de ocultar do rosto de Samuel assim que a jovem e bela moça adentrou o hall do observatório acompanhada do Prof. Rensenbrink. Ela curiosamente parecia ser muito jovem para alguém que já fosse pesquisadora de um conceituado e importante órgão do governo. Aparentava ter uns 17 anos de idade, era isso que Samuel pensava. Tinha uma pele bem alva, seus cabelos eram longos, quase chegando à altura de sua cintura, e eram negros e bem ondulados. Tinha uma passada suave e caminhava com extrema elegância e altivez como se fosse descendente de alguma linhagem nobre, essa era a impressão de Samuel. Usava uma camisa caqui de manga longa, justa ao corpo, e uma calça comprida da mesma cor, também colada, que dava aos outros a chance de perceber que ela possuía um corpo escultural como que moldado por anos de atividades esportivas. Seu rosto era nada menos que angelical. Parecia ter sido pintado por algum mestre da renascença. Tinha uma face ovalada com um delicado e pequeno nariz, uma grande e carnuda boca e proeminentes e rosadas maças do rosto. Mas o que mais chamou a atenção de Samuel naquela garota, o que realmente o encantou em meio a toda aquela beleza foram os seus olhos. Aquela garota tinha lindos e profundos olhos de cor acinzentada com longos cílios que convidavam qualquer um a se perder em seu interior. Eram estranhamente belos e amedrontadores, para ele eram “olhos de tempestade”.

Logo a moça estava parada à frente de Samuel e Rensenbrink tratou logo de apresentá-la ao jovem rapaz que continuava como que encantado observando-a:

-Bem, Srta. Tânia, este é o Sr. Mendonça, Samuel Mendonça, aluno de mestrado em física nuclear aqui da UvA. Era ele quem estava fazendo observações ontem quando da queda do meteorito que agora você está procurando.

-Prazer, Sr. Samuel. - falou a moça que possuía uma voz também suave e encantadora. - Espero que tenha conseguido boas imagens do meteorito. Estou ansiosa para ver suas fotos. - ela sorriu graciosamente.

-Bem, - intrometeu-se Michels. - infelizmente o jovem Samuel não conseguiu registrar nada por falta de filme fotográfico na câmera do telescópio que ele estava a utilizar.

-É verdade, Srta. Tânia, - enfim Samuel conseguiu falar. - apesar de ter conseguir presenciar o fenômeno, não consegui registrá-lo. Fiquei bastante chateado com o ocorrido, mas ficarei feliz em respondê-la se desejar me fazer alguma pergunta.

-Na verdade eu gostaria sim. - respondeu ela. - Mas, como são várias perguntas, creio que seria melhor se procurássemos um local mais confortável para conversar, não é verdade?

-Ah, claro! Tem uma sala de estar aqui no observatório que poderemos utilizar se preferir. - Samuel não conseguia esconder o seu nervosismo na presença da moça.

-Pois bem, já que não somos mais tão necessários e, pelo que me parece, a conversa será demorada, eu e o Prof. Michels iremos prosseguir com nossas atividades. Peço somente que a senhorita me procure no final de sua entrevista para que eu possa lhe mostrar o resto das instalações de nossa universidade, se assim lhe convier. - ofereceu o Prof. Rensenbrink.

-Óh, claro, seria um prazer, professor! Assim que terminar com o Samuel, irei procurá-lo.

Assim foram os dois jovens para a sala de estar do observatório enquanto os dois senhores partiram para continuar sua ocupada rotina de trabalho. Samuel continuava nervoso na presença da garota que sentou-se lentamente em uma poltrona logo à frente da que ele sentara. Tentando se acalmar, ele não parava de balbuciar para si mesmo em português coisas do tipo “Deixa de ser idiota, ela é linda, mas não morde”, ou então “Se acalme, homem! Senão ela vai achar que você é um idiota”.

A garota logo começou a entrevista:

-Então, conseguiu ter uma boa visualização do objeto? - começou amigavelmente a jovem.

-Sim, tive uma posição privilegiada por estar próximo ao local da queda.

-E teve alguma impressão peculiar sobre o objeto que você observou? Pôde notar algo de interessante ou até mesmo impressionante a cerca da natureza do objeto que caiu?

-Na verdade não tive nenhuma. Nada de mais, tratava-se de um meteorito como outro qualquer.

-Mas é de se estranhar que você não tenha checado seu equipamento antes de iniciar sua atividade de observação. É de praxe fazer a conferência do equipamento. Tem certeza que não conseguiu nenhum registro daquele objeto que caiu próximo aqui do campus? Você pode confiar em mim, Samuel. Trabalho em uma instituição séria e vou ter sigilo com o que for conversado aqui.

Ele pensou bem por alguns segundos antes de respondê-la:

-Na verdade, eu perdi o fenômeno, sabe? Acabei dormindo e fiquei constrangido de falar uma coisa dessas para o reitor da universidade. Eu não vi nada, infelizmente não vou poder ajudá-la como você queria.

Ele suava frio enquanto mentia descaradamente. Não sabia porque fazia aquilo, mas não queria comentar sobre suas impressões sobre aquele meteorito. Na verdade tinha receio do que levara alguém do SRON até ele para fazer tais perguntas.

Vendo que não iria conseguir nada daquele jeito, a jovem fechou seu semblante e, para espanto de Samuel, começou a falar com ele em claro e perfeito português:

-Vamos parar com essas mentiras ridículas, Samuel, e vamos direto ao ponto! Onde estão as fotos que você tirou ontem? Essas imagens vão me ser muito úteis na minha procura e não tenho tempo pra perder com você! - ela estava visivelmente irritada. - Vamos, desembucha!

Enquanto ela falava, Samuel notou que dentro de seus olhos, no interior das suas íris acinzentadas, algo movimentava-se em espiral, parecendo um redemoinho, ou melhor, parecendo uma intensa e amedrontadora tempestade.  

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