Assim
que Matheus sai do carro, seus amigos de banda vão ao seu encontro
querendo ter mais informações de seu estado:
-
E então, Matheus? Já está tudo bem contigo, cara? – fala Diogo
ajudando Alice a levar Matheus para dentro da pousada. Ele estava
realmente preocupado com o amigo. - Alice nos ligou ontem pela manhã
dizendo que você tinha sido atacado por um animal. Eu fiquei achando
no início que era alguma sacanagem sua, mas, depois dela confirmar
que o acontecido era verdade e que o caso era grave, liguei na hora
pro Alberto. A gente tinha acabado de chegar em casa. Eu só tomei um
banho, troquei de roupa e peguei a estrada de volta pra ver como você
estava. Alberto chegou aqui umas três horas depois de mim.
-
Verdade, cara. – confirma Alberto, também se chegando ao amigo. –
Sorte a sua que a garota que estava contigo é uma pessoa do bem,
velho. Ela te levou pro hospital, avisou a gente e também falou pro
teu irmão que você tava internado. Você tem muito o que agradecer
a ela.
Alice
observava meio que à distância Matheus e seus dois amigos se
reencontrarem. Estava enfim aliviada depois de tudo aquilo que havia
acontecido. Parecia que aquele pesadelo tinha terminado. Afinal tudo
tinha acabado bem. E Matheus não sofrera dano mais grave à sua
saúde, pensava ela.
-
Eu sei que Alice me ajudou muito nesse incidente. – falava Matheus
aos seus dois companheiros. - Nem tive cabeça ainda de agradecê-la
direito tudo o que ela fez por mim. Eu ainda estou muito confuso
sabe? Afinal fiquei mais de um dia “apagado” no hospital. Acordei
sem noção de onde estava. Não sei o que foi feito de minha moto. E
agora comecei a sentir um mal estar terrível, uma dor...
Matheus
havia desviado sua atenção das três pessoas que o observavam da
janela do casarão, mas ainda sentia a presença dos três o
oprimindo, como se seus olhos conseguissem transpassar a todos e
pudessem achá-lo onde quer que ele estivesse.
-
Vamos logo pra dentro da pousada, velho. Você pode ter saído do
hospital, mas ainda precisa de repouso. – falava Alberto enquanto
conduzia o amigo para dentro do prédio. – Nós reservamos um
quarto para você aqui, Matheus. Como Henrique deve estar chegando
amanhã, achamos melhor que você descanse hoje aqui e amanhã nós
voltamos juntos com ele para Belo Horizonte. Ah! E você não precisa
ficar encucado pensando na sua moto. Alice nos disse que vocês
tinham largado a moto e o carro dela num estacionamento próximo
daqui e voltado a pé pra pousada na noite do acidente. Ela mesma
negociou com o proprietário do lugar para que a moto ficasse lá
enquanto você estava no hospital. Então a moto está inteira e
sendo bem guardada, fica frio.
Os
três entraram na pousada e foram para o quarto reservado para
Matheus. Com um pouco de esforço Matheus deitou-se na cama. Seu
pescoço, desde que chegara à pousada, doía ininterruptamente. Os
amigos entregaram para ele uma mochila com algumas roupas para o
amigo e já estavam de saída quando Matheus os chamou uma última
vez:
-
Caras! Se Alice ainda estiver aqui na pousada, vocês podem falar
para ela vir conversar comigo? Eu ainda não a agradeci direito. Sem
falar que não tenho nenhum número de contato e quero vê-la ainda
outras vezes. Vocês podem dar esse recado?
-
Claro, velho, sem problemas... Mas você é muito sortudo, hein! Até
quando se acidenta é salvo por uma gata! – os dois sorriam quando
saíram do quarto.
Matheus
ficou impressionado com o que ocorrera na entrada da pousada. Tinha
certeza que as vozes que ele escutara em sua mente eram das pessoas
que estavam na janela do casarão observando-o. “Mas como aquilo
poderia ser possível?!”, pensava ele. Tudo o que estava ocorrendo
desde o incidente com o lobo era muito estranho. Talvez ele estivesse
ainda impressionado com as alucinações que tivera enquanto estava
no leito do hospital. Matheus tentava achar uma explicação racional
para o ocorrido há pouco. Ele tentava acalmar-se, mas uma agonia
interna, um pequeno desespero gritava lá dentro de sua alma. Uma
sensação de perigo iminente o rondava e estava fazendo com que seu
coração se inquietasse. Ele precisava se acalmar, não havia motivo
para toda aquela aflição, achava ele. Para tentar afastar essas
preocupações, Matheus tentou limpar os pensamentos. Precisava
limpar a mente, era o que achava. Ficou deitado, com os olhos
fechados, respirando de forma compassada. Estava tentando se acalmar.
Agora
que Matheus buscava algo para tranquilizar seu coração, para tirar
de sua mente preocupações indesejadas e infundadas, só conseguia
fixar seus pensamentos em uma pessoa: Alice. Era estranho, mas a
figura de Alice lhe trazia paz. A visão do rosto de Alice era a
única coisa que desviavam os pensamentos de Matheus, que lhe dava a
sensação de paz, trazia-o para o lugar dos sonhos agradáveis, dos
prazerosos pensamentos. Ele não sabia o porquê, mas Alice já
estava marcada em seu interior, havia conseguido quebrar uma barreira
que ele mesmo levantara alguns anos atrás para não mais se
machucar, ela já era possuidora de algo mais que apenas sua
gratidão.
Passado
pouco mais de cinco minutos, alguém bate na porta do quarto de
Matheus.
-
Pode entrar,... a porta está aberta. – fala Matheus.
A
porta se abre e ele vê Alice entrando em seu quarto e sentando-se na
sua cama, bem ao seu lado.
-
Me disseram que você queria falar comigo. – ela o olhava com um ar
curioso.
Matheus
ficou um pequeno instante olhando para Alice, sentindo o seu perfume,
desejando tê-la ainda mais próximo de si. Ela conseguia
tranquilizá-lo. Não sabia bem se era apenas impressão, mas até a
dor que até então o incomodara tanto, na presença de Alice,
passara.
-
Sabe, eu acho que fui muito ingrato com você, Alice. – Matheus
começou a falar. Estava visivelmente sem jeito. – Eu nem ao menos
agradeci da forma correta. Eu pedi que falassem para você vir aqui
porque queria agradecer corretamente e também pedir desculpas pelo o
modo como tenho me comportado hoje. Estou ainda muito confuso com
tudo o que aconteceu e sei que ando pouco amistoso e muito calado.
Mas eu queria que você soubesse que sou muito grato por tudo o que
você fez. E gostaria de dizer que você não somente salvou aquela
minha noite de fracassos, como também me guardou enquanto eu estava
inconsciente todo esse período no hospital e agora mesmo tem sido a
pessoa que toma os meus pensamentos a todo o momento. Eu adorei cada
instante que passei do seu lado e gostaria que não perdêssemos o
contato. Conversamos tanto naquela noite e eu nem ao menos peguei o
seu telefone. Como eu sou estúpido. Seria muita cara de pau a minha
se pedisse seu número agora?
-
N-não, claro que posso dar meu número pra você, sem problemas. –
Alice não conseguia disfarçar o nervosismo. Matheus tinha sido
muito direto. Ela não sabia o que esperar daquilo tudo, de toda
aquela confusão e do laço que acabou se formando entre ambos,
apesar de também sentir desejo de estar próximo dele. – Mas me
fala, como você está?...
-
Eu estou bem agora, não precisa se preocupar comigo. Eu lembro de
ter ouvido naquela noite que você está morando em uma cidade
próxima daqui, que está fazendo faculdade e que mora com uma amiga,
é isso mesmo? Mas você é de onde? Qual tua cidade natal?
-
Eu sou paulistana, mas meus pais estão já há dois anos morando em
Belo Horizonte. Pelo menos uma vez por mês eu vou lá para
visitá-los.
-
Que bom então. Também moro em BH. Você poderia se encontrar comigo
quando for por lá ver seus pais? A gente poderia se ver, sair.... O
que acha? – Matheus aguardava ansioso a resposta de Alice.
-
Sim, sim... - ela não conseguia pousar seus olhos nos dele. Ele
mexia com ela, a deixava tensa, insegura. - A gente pode continuar
mantendo contato, claro.
Com
esforço Matheus sentou-se na cama e aproximou-se de Alice que o
observava sem reação. Ele calmamente ajeitou o cabelo dela que
estava sobre o rosto. Alice continuava a observar, ainda mais
nervosa, seu coração disparou. Ela ofegava. Matheus ficou com o
rosto a um palmo do de Alice e delicadamente pegou em seu queixo.
-
Olha, - falou então ele – eu não sei porque estou tão ligado a
você. Talvez por termos passado por um momento intenso de perigo
juntos, mas eu não consigo parar de pensar em você... - ela
continuava a observá-lo, agora seus olhos miravam os dele. Sua boca
entreaberta esperava o toque dos lábios dele.
Calmamente
Matheus levou seus lábios ao encontro dos de Alice. Os dois
beijaram-se. Um beijo demorado e intenso, com desejo. Estava claro
que eles tinham uma química que poucas vezes se vê em um casal. Ela
parecia ter sido feita para ele. Alice resolveu não resistir mais,
não havia motivos para isso, e deixou-se entregar. Era evidente que
ambos queriam um ao outro, seus corpos pediam intensamente esse
contato desde o primeiro momento de intimidade entre eles naquela
boate dias atrás, a conexão entre os dois era realmente incrível.
Não sem algum esforço, Matheus conseguiu tirar sua camisa. Alice
conseguia ver todas as marcas que o lobo deixara no corpo dele. Eram
arranhões ao longo de suas costas, ombros, braços e costelas. Ela
beijava cada machucado, cada arranhão deixado por aquela criatura
como se seus beijos pudessem curá-lo. Aos poucos Alice foi se
deixando despir por Matheus enquanto era beijada. Ela ficou de pé e
ele pôde ver como seu corpo era incrível. Ele puxou-a para perto de
si e começou a beijar cada centímetro daquele corpo delgado e
macio. O perfume dela o deixava embriagado. Por sua vez, Alice
segurava seus cabelos com vontade, conduzia-o por entre suas curvas,
mostrava como ela gostava de ser beijada. Alice delicadamente
empurrou-o para que deitasse na cama. Ela mesma acabou de despi-lo.
Lentamente ela colocou-se sobre ele, apoiando-se com uma mão em seu
peito enquanto com a outra guiava o membro enrijecido para dentro de
si. Os dois agora estavam fundidos, seus corpos pareciam ser um só.
O prazer era intenso, sentiam-se como que entorpecidos, como naqueles
sonhos quentes que nos fazem não querer acordar. Alice começou a
movimentar sua anca lentamente em movimentos delicados. Matheus
segurava aqueles quadris com força, apertava-lhe as nádegas
enquanto olhava dentro dos olhos dela que estavam entreabertos. Ele,
extasiado em tê-la junto de si, puxou-a para que pudesse
sussurrar-lhe no ouvido. Entre gemidos falou:
-
Dorme aqui essa noite. Eu te quero comigo, Alice...
Alice
sorriu. Ela beijou-o e se entregou por completo como nunca fizera
antes. Queria aproveitar cada carícia, cada contato com o corpo de
Matheus. Sentia-se à vontade com ele na cama. Sabia que ali os dois
estavam completamente unidos, eram cúmplices do prazer.
Ao
fim de tudo, já saciados e exaustos, ela adormeceu tranquilamente
com a cabeça sobre o seu colo.

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