segunda-feira, 19 de abril de 2010

LdS - Livro I - Capítulo 16 - Uma pequena pausa




Todos estavam incrivelmente confiantes. A adrenalina era intensa no corpo de Matheus. Eles viajavam em dois grupos, sendo que Arthur, Demétrius, Matheus e Izabelle viajavam em um carro sendo seguidos por outro automóvel onde estavam Ulisses, Nicole e Elizabeth. O sol já começava a mostrar sinais longe no horizonte com seus raios laranja-avermelhados começando a ferir a escuridão onde Selene ainda reinava. Já haviam viajado por horas parando apenas para reabastecer rapidamente os automóveis. Dentro do primeiro carro, Matheus não conseguia parar de pensar em Alice, de imaginar como seria seu reencontro com ela. Ele já sentia-se recuperado dos ferimentos causados por Edgar e estava, mais que todos, empenhado em dar tudo de si nessa missão. Por mais que ele soubesse que nada poderia ter feito para impedir o sequestro de Alice, ele não conseguia se perdoar por ter sido derrotado tão facilmente pelo adversário. Ele queria provar para ele mesmo que era digno do respeito e da confiança que seus três companheiros depositavam nele e, ao mesmo tempo, ver os resultados positivos de todo esse período de intenso treinamento. Ele sabia que seria exigido nessa missão, que seria colocado à prova como guerreiro e que uma eventual falha dele poderia causar sua morte ou a morte de Alice. Definitivamente Matheus não pararia por nada, ele não se permitia falhar.

Izabelle continuava seu extenuante trabalho em rastrear o “cheiro da alma” de Alice. Mantinha-se em total concentração, o que lhe conferia um ar sério e compenetrado. Enquanto ela ocupava-se em não perder o rastro, todos os outros licantropos ficavam incumbidos de cuidar da segurança do grupo. Eles estavam entrando em terreno inimigo e não podiam se dar ao luxo de relaxar um momento que fosse. Um ataque surpresa do inimigo seria fatal para eles. Arthur, que era o mais experiente do grupo, também possuía a habilidade de utilizar magia, sendo uma de suas medidas preventivas a invocação de um feitiço que ampliava a capacidade de regeneração de todo o grupo em caso de danos causados por prata, o que evidentemente seria de grande ajuda contra seus caçadores Gadols. Elizabeth e Helendril, seu obsessor, estavam permanentemente em modo simbiose, atentos a qualquer manifestação ou energia sobrenatural que pudesse significar ameaça ao grupo. Enquanto isso, Demétrius tratava de manter todos os licantropos em um tipo de laço psíquico onde podiam comunicar-se entre os automóveis apenas telepaticamente. Já Ulisses, Nicole e Matheus, que eram considerados pelo grupo como os que possuíam maior poder de destruição, mantinham-se em prontidão para agirem ao menor sinal de um ataque inimigo. Matheus mantinha sua espada wakizashi junta a si e não exitaria um segundo que fosse em sacá-la se fosse necessário.

Passaram-se horas de viagem na estrada até que avistassem indício de civilização nas proximidades da estrada. O sol já estava alto do outro lado do céu, em direção ao poente, e eles precisavam parar para abastecerem seus carros. Depois de entrarem em uma pequenina cidade, já no estado da Bahia, o grupo procurou um posto de combustível para que pudessem fazer uma pequena pausa. Logo acharam o único e diminuto posto da cidadezinha. Sem outra alternativa naquele local, estacionaram seus carros.

- Tem alguma coisa muito estranha com este vilarejo. - Informou Elizabeth ao grupo. - Não sei bem ao certo porque Helendril está distante por influência do amuleto Gadol, mas ele me informou que um verdadeiro turbilhão demoníaco assola este local. Não parece trabalho Gadol, antes ele pensa ser obra de algum grupo licantropo. Fiquem atentos!

Imediatamente dois jovens rapazes aproximaram-se, cada um chegou-se a um dos carros, e dirigiram-se ao grupo de forasteiros de uma forma inesperada:

- Em nome de qual dos líderes Licans vocês vêm a esta comunidade? - perguntou um dos jovens ao grupo que estava no primeiro carro. Eles haviam sido descobertos, o jovem licantropo devia ser um rastreador.

Todos ficaram assustados com aquela pergunta. “Mas o que está acontecendo afinal de contas”, pensava Demétrius enquanto tentava achar uma resposta que não os deixasse em uma situação ainda mais complicada.

- Como assim de qual dos líderes? Não me diga que toda esta cidade é de domínio Lican? Vocês fizeram desse vilarejo uma comunidade Lican?! - perguntou Demétrius temendo a resposta que receberia dos jovens interrogadores.

- Já era de se esperar que vocês não pertencessem ao nosso clã, aparecendo aqui sem anunciarem sua visita ao nosso administrador. Em respeito ao pacto feito no início da “Segunda Era de Paz” entre os dois grandes clãs, vamos dar-lhes o direito de se explicarem ao líder de nosso grupo. - Ao dizer isso, o jovem rapaz já tinha em sua companhia outros vinte amaldiçoados que pareceram brotar da terra, tamanha a rapidez como chegaram e cercaram os veículos. Aquela deveria ser a patrulha de segurança da comunidade.

Eles não tinham mais o que fazer. Estavam todos cercados e encurralados. Uma luta significaria prejuízo para a missão e possíveis baixas no grupo. A única alternativa seria irem à presença daquele governante Lican para tentar uma negociação.

O grupo de Matheus teve sorte por aquela comunidade de Licans ainda respeitar os antigos tratados de paz selados entre os dois grandes clãs. Era algo raro, mas não impossível de acontecer. Diferentemente dos Nightkillers que mais parecem um grupo de fanáticos seguidores de uma ceita religiosa, os Licans permitem que se formem pequenos grupos de licantropos com uma administração própria, mas ainda subordinados aos principais líderes do clã. Dentro destas comunidades, o mais antigo é também o governante. As regras e leis são definidas por ele, não sofrendo a interferência direta dos líderes do clã, podendo ser adotado qualquer código de leis Lican desde que este já tenha sido adotado, em algum momento anterior da história, pela liderança do clã.

Esse antigo pacto de paz, o qual o jovem líder daquele grupo havia invocado, era um acordo de não agressão entre os licantropos que havia vigorado quando da segunda trégua entre os dois clãs e que durou apenas um século. Nele, se um determinado licantropo fosse capturado nos domínios de outro clã, este prisioneiro teria o direito de ter uma audiência com o governante do território para poder explicar-se ou tentar suplicar misericórdia por sua vida. Este antigo código não era mais utilizado entre os dois clãs, já que aquele era um momento de guerra entre os grupos, mas aquela brecha dentro das regras Licans permitia, caso algum governante achasse interessante, que aquele código ainda fosse adotado a grupos de dissidentes. Muitos administradores estavam abertos para captação de novos membros licantropos que simpatizassem com suas ideias e estivessem dispostos a seguir suas normas.

Aquela era uma das maiores diferenças entre Licans e Nightkillers, os Licans eram um grupo mais heterogêneo e descentralizado, permitiam que seus membros tivessem mais liberdade de ação. Infelizmente esta era uma característica que parecia ter data próxima para acabar. Devido a ascensão de um novo grupo de líderes ao poder do clã Lican, várias mudanças estavam sendo aplicadas para deixar o clã mais coeso e mais forte para enfrentar a ameaça Nightkiller, o que acabava significando a diminuição considerável das liberdades individuais de seus membros, tão características da natureza Lican. Foi devido a estas mudanças que as fileiras Licans passaram a contabilizar uma incrível quantidade de deserções nos últimos anos. Dentre os desertores, Demétrius, Nicole, Arthur e Ulisses enquadravam-se nesse grupo que não concordava com as novas ordens vindas dessa liderança mais “linha dura”.

Já Elizabeth e Izabelle, por seu lado, abandonaram as tropas Nightkillers por não concordarem com a natureza brutal do clã e não suportarem mais viver lutando em uma guerra cega e sem sentido pelo poder. De qualquer forma, aquela era uma situação inusitada. “Que tipo de administrador deve ser este que ainda respeita tão antigos acordos de paz que já não cabem mais nestes nossos duros dias de guerra?”, era o que pensava Demétrius enquanto eram todos conduzidos para a tal audiência.

Logo todos estavam na sala de onde o tal governante administrava seus subordinados. Sentado em uma espécie de trono, colocado bem no centro da sala, estava uma figura curiosa. Ele aparentava, se fosse um humano normal, ter uma idade aproximada entre cinquenta e sessenta anos. Usava roupas negras, com muitos cordões de metal pendurados no seu pescoço donde pendiam enormes talismãs. Tinha vários piercings em seu rosto. Usava óculos escuros de armação redonda semelhantes aos imortalizados por John Lenon. Seus cabelos já grisalhos eram longos e uma barba cerrada completava seu visual. Seu nome era Morrison, um antigo líder Lican que fora mandado ao Brasil pela nova liderança do clã para que ficasse isolado e esquecido em um país de menor importância como punição por disseminar suas ideias subversivas. Morrison era um libertário e não concordava com as novas ideias que agora tomavam conta das lideranças Licans. Como ele também era um dos principais líderes do clã, pertencente à velha guarda, e ainda gozava de certo prestígio junto à grande maioria dos importantes líderes dos exércitos Licans, acharam por bem apenas exilá-lo naquela terra sem importância.

Ao ver serem trazidos à sua presença os sete amaldiçoados forasteiros, Morrison fechou seu semblante e foi direto ao ponto, já que não era homem de meias palavras:

- Vejo que me trouxeram visitas, meus amigos. Quem são vocês, forasteiros, e o que pretendem fazer invadindo meu território de forma tão sorrateira? - Sua voz era grave e rouca, dando-lhe um ar ainda mais sombrio.

Arthur, como o mais experiente do grupo, tomou a frente e respondeu sem pestanejar ao temível interrogador:

- Eu vejo que o tempo acabou por apagar-lhe parte da memória, velho amigo, já que não reconhece mais os antigos aliados. Ainda que eu não esteja mais sob as ordens de nosso clã, creio que algum valor ainda possuo para você, ou as muitas batalhas e as várias vezes que salvei-lhe a vida agora não podem ser invocadas?

A essas palavras Morrison se desarmou e retirou seus óculos escuros para que pudesse ver melhor quem era aquele licantropo de voz tão familiar e que lhe cobrava tão alta dívida:

- Não acredito no que estes velhos olhos agora me mostram! Em qualquer lugar do globo eu poderia esperar reencontrá-lo, mas justamente neste fim de mundo é que o destino quis nos reunir novamente? - Morrison levantou-se de sua cadeira e abrindo os braços chegou-se até Arthur. - Venha aqui, velho companheiro! Dê-me o prazer de retribuir a ajuda por todas as vezes em que me salvaste a vida! - Dizendo isto os dois abraçaram-se, ambos com um sorriso no rosto.

O alívio do restante do grupo foi grande. Todos relaxaram seus semblantes enquanto os dois velhos conhecidos se cumprimentavam. Ao que parecia Arthur e Morrison eram velhos amigos de bastante tempo e já haviam passado por muitos momentos difíceis juntos. Ao final da emoção daquele reencontro, puderam todos enfim conversar reservadamente com o líder daqueles Licans e contar o que os trazia aquela região erma do Brasil:

- Então quer dizer que nas proximidades de meu domínio existe uma base Gadol! - Morrison demonstrava autêntica surpresa com aquelas revelações. - E mais surpreso estou eu ao saber que Demétrius e Ulisses também não mais se curvam às ordens daqueles imprudentes jovens líderes Licans. Não sabem eles o quão prejudicial para nosso clã tem sido as suas néscias atitudes. Eu tenho inveja de vocês que conseguiram abdicar de suas posições e prestígio para viverem uma vida livre e despreocupada longe desta guerra vã. E mais inveja ainda destes jovens licantropos que os acompanham e que possuem tão grande esperança em verem-se livres dessa maldição infeliz. Meu obsessor Kythelion me informa, velho amigo, que seus companheiros são poderosos aliados e que um dentre vós possui uma determinação de ferro capaz de alçá-lo ao ponto onde nenhum outro amaldiçoado ousou antes chegar. Só espero que esta sua perigosa jornada tenha um final feliz.

- Bem, Morrison, ainda tentamos encontrar a posição exata de nossos seculares inimigos. É de se estranhar que seus subordinados ainda não tenham tomado conhecimento da presença desses poderosos adversários. - Arthur estava decepcionado com a total desinformação de Morrison a cerca de seus adversários.

- Nem tanto, Arthur. Ainda é um mistério para nós a natureza e as habilidades desses guerreiros-sacerdotes. muitos de nossos irmãos foram eliminados sem que nem ao menos pudessem esboçar alguma reação que fosse. Então, é de se esperar que eles conheçam alguma forma de camuflarem sua presença ante nossos obsessores ou quem sabe consigam confundi-los. Isso só pode nos indicar que esse grupo de Gadols é experiente, sendo de suma importância que vocês sejam ainda mais cautelosos. Esse inimigos são muito perigosos para serem menosprezados. - afirmou Morrison.

- Você tem razão, líder Lican. Por esta razão acho muito importante que sua comunidade trabalhe em conjunto conosco na eliminação desta ameaça comum. - interferiu na conversa Demétrius, já especulando uma aliança com aqueles isolados Licans. - Já que eles escolheram como local para sua base esta região erma do país, podemos imaginar que essa cidade seja a causa para tal escolha. Sendo bem claro, acredito que vocês sejam o próximo alvo desses caçadores.

- As suas conclusões provavelmente estão corretas, Demétrius. Seria muita ingenuidade minha considerar que a escolha da localização dessa base Gadol tenha sido feita ao acaso. - confirmou Morrison. - E tenho que ser franco quando afirmo que a vossa chegada foi muito oportuna. Mas não posso simplesmente lançar todo o meu contingente num ataque a quem quer que seja sem a devida comunicação aos meus superiores, o que acarretaria também na obrigatoriedade minha de fazer de vocês, meus caros, meus prisioneiros. Já que esta não é uma escolha que desejo fazer, lhes digo que não tenho como ajudá-los da forma que eu gostaria. Contudo, como também é de meu interesse que
esta ameaça seja eliminada, vou ajudá-los enviando um pequeno grupo de meus subordinados. Creio que eles possam servir-lhes de auxílio.

- Nossa, isso seria importantíssimo para nós! - deixou escapar Matheus, ante a euforia daquela promessa de ajuda.

- Pois bem, - continuou Morrison. - vendo que é de bom grado que recebem meu oferecimento de ajuda e diante do tempo necessário para que se prepare o grupo que vai lhes prestar auxílio, é prudente que descansem hoje aqui comigo para que possam partir amanhã com suas forças revigoradas.

Ante o convite daquele líder Lican, o grupo não teve outra opção a não ser pernoitar aquela noite no vilarejo, mesmo contra a vontade de alguns membros, em especial Matheus e Nicole. De qualquer forma Izabelle precisava mesmo daquele período de descanso já que aquela tarefa de rastrear Alice era por demais desgastante. Somente ao ver o estado em que a jovem licantropa se encontrava foi que Matheus se acalmou e acabou por conformar-se com aquela pausa em sua busca. Ele via na expressão cansada de Izabelle que, para um amaldiçoado, ficar tanto tempo sintonizado ao seu obsessor era por demais desgastante e penoso.

Posteriormente à reunião com Morrison, já à noite, Matheus procurou a jovem para agradecer sua ajuda e seu esforço. O grupo ficou hospedado na própria residência de Morrison que tratava-se de um casarão enorme, que muito lembrava aquelas “casas grandes” do período colonial brasileiro, onde os senhores de engenho viviam com suas enormes famílias. Como o casarão possuía vários quartos, cada um dos licantropos dissidentes pôde ficar em um cômodo próprio.

O casarão possuía uma enorme varanda que o circundava completamente e um jardim bem na sua frente que ainda possuía uma pequena fonte e alguns brinquedos que há muito tempo não deviam ser utilizados. Izabelle estava sentada em um balanço olhando a água que caía da fonte e que refletia a luz de Selene que parecia dançar ao som de uma frenética música. Seus olhar era distante, parecia estar em transe, como se seu espírito estivesse viajando grandes distâncias enquanto seu corpo pousava sobre a corrente velha do balanço. Matheus chegou meio sem jeito observando-a em silêncio. Fazia tempo que queria falar com ela, mas sentia-se constrangido. Ele não queria se distrair com tais pensamentos, mas era algo difícil para ele, algo que ele não conseguia dominar, Izabelle era linda e ele estava muito atraído. Estava culpado-se por sentir algo assim por outra garota enquanto sua namorada estava desaparecida e possivelmente em perigo. Era engraçado, mas algo em Izabelle chamava-o, como se tivessem algo importante para realizarem juntos. “O rosto dela é angelical, mas suas curvas são diabólicas”, pensava. Ele lentamente sentou-se num banco ao lado do balanço onde a jovem estava. Ainda sem saber ao certo o que falar, Matheus começou o diálogo:

- Tenho visto que tem sido muito difícil pra você rastrear Alice. Imagino como você deve estar se esforçando.

- Estou tendo mais dificuldades por estar utilizando o amuleto Gadol como fonte do sinal para realizar minha busca. - Os olhos de Izabelle continuavam mirando a fonte.

O vento balançava seus longos cabelos castanhos jogando-os em seu rosto. Apesar de ser uma amaldiçoada, seu semblante era sereno, tranquilo. Em contrapartida, Matheus não conseguia disfarçar seu nervosismo ao falar com ela.

- Eu estou aqui porque gostaria de agradecer o que você tem feito. Nada disso seria possível se não fosse pela sua ajuda. Sem você Alice estaria perdida.

- Se você acha importante agradecer a minha ajuda, tudo bem. Mas é bom que saiba que eu também tenho meus interesses nessa missão. Não estou aqui por causa dela, antes penso que fazendo isto vou estar me ajudando e ajudando você. - Ela virou-se para ele ao falar isto. - Entrei nessa por sua causa, Matheus. Gostei de você assim que te vi. Me parece que nossos destinos estão de alguma forma ligados. Não sei direito explicar, mas é isto que sinto. Fiz o que achava que era o certo a se fazer.

Matheus não conseguiu evitar sua expressão que era um misto de surpresa e vergonha. Seu rosto estava vermelho, seu coração batia acelerado. Izabelle o encarava com um olhar sereno e firme. Ela definitivamente sabia o que queria e conseguia passar isso para Matheus. De repente ela levantou-se, ajeitou os cabelos e partiu em direção ao interior da casa:

- Amanhã teremos um dia cheio, talvez tenhamos que lutar. Sugiro que você descanse, Matheus. - ela parou e virou-se para olhar para ele. - E eu não quero que você se machuque.

Izabelle sorriu, dessa vez timidamente, e continuou sua caminhada para dentro do casarão, deixando Matheus sentado no jardim sob a luz da lua.

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