Todos estavam incrivelmente confiantes. A adrenalina era intensa no corpo de Matheus. Eles viajavam em dois grupos, sendo que Arthur, Demétrius, Matheus e Izabelle viajavam em um carro sendo seguidos por outro automóvel onde estavam Ulisses, Nicole e Elizabeth. O sol já começava a mostrar sinais longe no horizonte com seus raios laranja-avermelhados começando a ferir a escuridão onde Selene ainda reinava. Já haviam viajado por horas parando apenas para reabastecer rapidamente os automóveis. Dentro do primeiro carro, Matheus não conseguia parar de pensar em Alice, de imaginar como seria seu reencontro com ela. Ele já sentia-se recuperado dos ferimentos causados por Edgar e estava, mais que todos, empenhado em dar tudo de si nessa missão. Por mais que ele soubesse que nada poderia ter feito para impedir o sequestro de Alice, ele não conseguia se perdoar por ter sido derrotado tão facilmente pelo adversário. Ele queria provar para ele mesmo que era digno do respeito e da confiança que seus três companheiros depositavam nele e, ao mesmo tempo, ver os resultados positivos de todo esse período de intenso treinamento. Ele sabia que seria exigido nessa missão, que seria colocado à prova como guerreiro e que uma eventual falha dele poderia causar sua morte ou a morte de Alice. Definitivamente Matheus não pararia por nada, ele não se permitia falhar.
Izabelle
continuava seu extenuante trabalho em rastrear o “cheiro da alma”
de Alice. Mantinha-se em total concentração, o que lhe conferia um
ar sério e compenetrado. Enquanto ela ocupava-se em não perder o
rastro, todos os outros licantropos ficavam incumbidos de cuidar da
segurança do grupo. Eles estavam entrando em terreno inimigo e não
podiam se dar ao luxo de relaxar um momento que fosse. Um ataque
surpresa do inimigo seria fatal para eles. Arthur, que era o mais
experiente do grupo, também possuía a habilidade de utilizar magia,
sendo uma de suas medidas preventivas a invocação de um feitiço
que ampliava a capacidade de regeneração de todo o grupo em caso de
danos causados por prata, o que evidentemente seria de grande ajuda
contra seus caçadores Gadols. Elizabeth e Helendril, seu obsessor,
estavam permanentemente em modo simbiose, atentos a qualquer
manifestação ou energia sobrenatural que pudesse significar ameaça
ao grupo. Enquanto isso, Demétrius tratava de manter todos os
licantropos em um tipo de laço psíquico onde podiam comunicar-se
entre os automóveis apenas telepaticamente. Já Ulisses, Nicole e
Matheus, que eram considerados pelo grupo como os que possuíam maior
poder de destruição, mantinham-se em prontidão para agirem ao
menor sinal de um ataque inimigo. Matheus mantinha sua espada
wakizashi junta a si e não exitaria um segundo que fosse em sacá-la
se fosse necessário.
Passaram-se
horas de viagem na estrada até que avistassem indício de
civilização nas proximidades da estrada. O sol já estava alto do
outro lado do céu, em direção ao poente, e eles precisavam parar
para abastecerem seus carros. Depois de entrarem em uma pequenina
cidade, já no estado da Bahia, o grupo procurou um posto de
combustível para que pudessem fazer uma pequena pausa. Logo acharam
o único e diminuto posto da cidadezinha. Sem outra alternativa
naquele local, estacionaram seus carros.
-
Tem alguma coisa muito estranha com este vilarejo. - Informou
Elizabeth ao grupo. - Não sei bem ao certo porque Helendril está
distante por influência do amuleto Gadol, mas ele me informou que um
verdadeiro turbilhão demoníaco assola este local. Não parece
trabalho Gadol, antes ele pensa ser obra de algum grupo licantropo.
Fiquem atentos!
Imediatamente
dois jovens rapazes aproximaram-se, cada um chegou-se a um dos
carros, e dirigiram-se ao grupo de forasteiros de uma forma
inesperada:
-
Em nome de qual dos líderes Licans vocês vêm a esta comunidade? -
perguntou um dos jovens ao grupo que estava no primeiro carro. Eles
haviam sido descobertos, o jovem licantropo devia ser um rastreador.
Todos
ficaram assustados com aquela pergunta. “Mas o que está
acontecendo afinal de contas”, pensava Demétrius enquanto tentava
achar uma resposta que não os deixasse em uma situação ainda mais
complicada.
-
Como assim de qual dos líderes? Não me diga que toda esta cidade é
de domínio Lican? Vocês fizeram desse vilarejo uma comunidade
Lican?! - perguntou Demétrius temendo a resposta que receberia dos
jovens interrogadores.
-
Já era de se esperar que vocês não pertencessem ao nosso clã,
aparecendo aqui sem anunciarem sua visita ao nosso administrador. Em
respeito ao pacto feito no início da “Segunda Era de Paz” entre
os dois grandes clãs, vamos dar-lhes o direito de se explicarem ao
líder de nosso grupo. - Ao dizer isso, o jovem rapaz já tinha em
sua companhia outros vinte amaldiçoados que pareceram brotar da
terra, tamanha a rapidez como chegaram e cercaram os veículos.
Aquela deveria ser a patrulha de segurança da comunidade.
Eles
não tinham mais o que fazer. Estavam todos cercados e encurralados.
Uma luta significaria prejuízo para a missão e possíveis baixas no
grupo. A única alternativa seria irem à presença daquele
governante Lican para tentar uma negociação.
O
grupo de Matheus teve sorte por aquela comunidade de Licans ainda
respeitar os antigos tratados de paz selados entre os dois grandes
clãs. Era algo raro, mas não impossível de acontecer.
Diferentemente dos Nightkillers que mais parecem um grupo de
fanáticos seguidores de uma ceita religiosa, os Licans permitem que
se formem pequenos grupos de licantropos com uma administração
própria, mas ainda subordinados aos principais líderes do clã.
Dentro destas comunidades, o mais antigo é também o governante. As
regras e leis são definidas por ele, não sofrendo a interferência
direta dos líderes do clã, podendo ser adotado qualquer código de
leis Lican desde que este já tenha sido adotado, em algum momento
anterior da história, pela liderança do clã.
Esse
antigo pacto de paz, o qual o jovem líder daquele grupo havia
invocado, era um acordo de não agressão entre os licantropos que
havia vigorado quando da segunda trégua entre os dois clãs e que
durou apenas um século. Nele, se um determinado licantropo fosse
capturado nos domínios de outro clã, este prisioneiro teria o
direito de ter uma audiência com o governante do território para
poder explicar-se ou tentar suplicar misericórdia por sua vida. Este
antigo código não era mais utilizado entre os dois clãs, já que
aquele era um momento de guerra entre os grupos, mas aquela brecha
dentro das regras Licans permitia, caso algum governante achasse
interessante, que aquele código ainda fosse adotado a grupos de
dissidentes. Muitos administradores estavam abertos para captação
de novos membros licantropos que simpatizassem com suas ideias e
estivessem dispostos a seguir suas normas.
Aquela
era uma das maiores diferenças entre Licans e Nightkillers, os
Licans eram um grupo mais heterogêneo e descentralizado, permitiam
que seus membros tivessem mais liberdade de ação. Infelizmente esta
era uma característica que parecia ter data próxima para acabar.
Devido a ascensão de um novo grupo de líderes ao poder do clã
Lican, várias mudanças estavam sendo aplicadas para deixar o clã
mais coeso e mais forte para enfrentar a ameaça Nightkiller, o que
acabava significando a diminuição considerável das liberdades
individuais de seus membros, tão características da natureza Lican.
Foi devido a estas mudanças que as fileiras Licans passaram a
contabilizar uma incrível quantidade de deserções nos últimos
anos. Dentre os desertores, Demétrius, Nicole, Arthur e Ulisses
enquadravam-se nesse grupo que não concordava com as novas ordens
vindas dessa liderança mais “linha dura”.
Já
Elizabeth e Izabelle, por seu lado, abandonaram as tropas
Nightkillers por não concordarem com a natureza brutal do clã e não
suportarem mais viver lutando em uma guerra cega e sem sentido pelo
poder. De qualquer forma, aquela era uma situação inusitada. “Que
tipo de administrador deve ser este que ainda respeita tão antigos
acordos de paz que já não cabem mais nestes nossos duros dias de
guerra?”, era o que pensava Demétrius enquanto eram todos
conduzidos para a tal audiência.
Logo
todos estavam na sala de onde o tal governante administrava seus
subordinados. Sentado em uma espécie de trono, colocado bem no
centro da sala, estava uma figura curiosa. Ele aparentava, se fosse
um humano normal, ter uma idade aproximada entre cinquenta e sessenta
anos. Usava roupas negras, com muitos cordões de metal pendurados no
seu pescoço donde pendiam enormes talismãs. Tinha vários piercings
em seu rosto. Usava óculos escuros de armação redonda semelhantes
aos imortalizados por John Lenon. Seus cabelos já grisalhos eram
longos e uma barba cerrada completava seu visual. Seu nome era
Morrison, um antigo líder Lican que fora mandado ao Brasil pela nova
liderança do clã para que ficasse isolado e esquecido em um país
de menor importância como punição por disseminar suas ideias
subversivas. Morrison era um libertário e não concordava com as
novas ideias que agora tomavam conta das lideranças Licans. Como ele
também era um dos principais líderes do clã, pertencente à velha
guarda, e ainda gozava de certo prestígio junto à grande maioria
dos importantes líderes dos exércitos Licans, acharam por bem
apenas exilá-lo naquela terra sem importância.
Ao
ver serem trazidos à sua presença os sete amaldiçoados
forasteiros, Morrison fechou seu semblante e foi direto ao ponto, já
que não era homem de meias palavras:
-
Vejo que me trouxeram visitas, meus amigos. Quem são vocês,
forasteiros, e o que pretendem fazer invadindo meu território de
forma tão sorrateira? - Sua voz era grave e rouca, dando-lhe um ar
ainda mais sombrio.
Arthur,
como o mais experiente do grupo, tomou a frente e respondeu sem
pestanejar ao temível interrogador:
-
Eu vejo que o tempo acabou por apagar-lhe parte da memória, velho
amigo, já que não reconhece mais os antigos aliados. Ainda que eu
não esteja mais sob as ordens de nosso clã, creio que algum valor
ainda possuo para você, ou as muitas batalhas e as várias vezes que
salvei-lhe a vida agora não podem ser invocadas?
A
essas palavras Morrison se desarmou e retirou seus óculos escuros
para que pudesse ver melhor quem era aquele licantropo de voz tão
familiar e que lhe cobrava tão alta dívida:
-
Não acredito no que estes velhos olhos agora me mostram! Em qualquer
lugar do globo eu poderia esperar reencontrá-lo, mas justamente
neste fim de mundo é que o destino quis nos reunir novamente? -
Morrison levantou-se de sua cadeira e abrindo os braços chegou-se
até Arthur. - Venha aqui, velho companheiro! Dê-me o prazer de
retribuir a ajuda por todas as vezes em que me salvaste a vida! -
Dizendo isto os dois abraçaram-se, ambos com um sorriso no rosto.
O
alívio do restante do grupo foi grande. Todos relaxaram seus
semblantes enquanto os dois velhos conhecidos se cumprimentavam. Ao
que parecia Arthur e Morrison eram velhos amigos de bastante tempo e
já haviam passado por muitos momentos difíceis juntos. Ao final da
emoção daquele reencontro, puderam todos enfim conversar
reservadamente com o líder daqueles Licans e contar o que os trazia
aquela região erma do Brasil:
-
Então quer dizer que nas proximidades de meu domínio existe uma
base Gadol! - Morrison demonstrava autêntica surpresa com aquelas
revelações. - E mais surpreso estou eu ao saber que Demétrius e
Ulisses também não mais se curvam às ordens daqueles imprudentes
jovens líderes Licans. Não sabem eles o quão prejudicial para
nosso clã tem sido as suas néscias atitudes. Eu tenho inveja de
vocês que conseguiram abdicar de suas posições e prestígio para
viverem uma vida livre e despreocupada longe desta guerra vã. E mais
inveja ainda destes jovens licantropos que os acompanham e que
possuem tão grande esperança em verem-se livres dessa maldição
infeliz. Meu obsessor Kythelion me informa, velho amigo, que seus
companheiros são poderosos aliados e que um dentre vós possui uma
determinação de ferro capaz de alçá-lo ao ponto onde nenhum outro
amaldiçoado ousou antes chegar. Só espero que esta sua perigosa
jornada tenha um final feliz.
-
Bem, Morrison, ainda tentamos encontrar a posição exata de nossos
seculares inimigos. É de se estranhar que seus subordinados ainda
não tenham tomado conhecimento da presença desses poderosos
adversários. - Arthur estava decepcionado com a total desinformação
de Morrison a cerca de seus adversários.
-
Nem tanto, Arthur. Ainda é um mistério para nós a natureza e as
habilidades desses guerreiros-sacerdotes. muitos de nossos irmãos
foram eliminados sem que nem ao menos pudessem esboçar alguma reação
que fosse. Então, é de se esperar que eles conheçam alguma forma
de camuflarem sua presença ante nossos obsessores ou quem sabe
consigam confundi-los. Isso só pode nos indicar que esse grupo de
Gadols é experiente, sendo de suma importância que vocês sejam
ainda mais cautelosos. Esse inimigos são muito perigosos para serem
menosprezados. - afirmou Morrison.
-
Você tem razão, líder Lican. Por esta razão acho muito importante
que sua comunidade trabalhe em conjunto conosco na eliminação desta
ameaça comum. - interferiu na conversa Demétrius, já especulando
uma aliança com aqueles isolados Licans. - Já que eles escolheram
como local para sua base esta região erma do país, podemos imaginar
que essa cidade seja a causa para tal escolha. Sendo bem claro,
acredito que vocês sejam o próximo alvo desses caçadores.
-
As suas conclusões provavelmente estão corretas, Demétrius. Seria
muita ingenuidade minha considerar que a escolha da localização
dessa base Gadol tenha sido feita ao acaso. - confirmou Morrison. - E
tenho que ser franco quando afirmo que a vossa chegada foi muito
oportuna. Mas não posso simplesmente lançar todo o meu contingente
num ataque a quem quer que seja sem a devida comunicação aos meus
superiores, o que acarretaria também na obrigatoriedade minha de
fazer de vocês, meus caros, meus prisioneiros. Já que esta não é
uma escolha que desejo fazer, lhes digo que não tenho como ajudá-los
da forma que eu gostaria. Contudo, como também é de meu interesse
que
esta
ameaça seja eliminada, vou ajudá-los enviando um pequeno grupo de
meus subordinados. Creio que eles possam servir-lhes de auxílio.
-
Nossa, isso seria importantíssimo para nós! - deixou escapar
Matheus, ante a euforia daquela promessa de ajuda.
-
Pois bem, - continuou Morrison. - vendo que é de bom grado que
recebem meu oferecimento de ajuda e diante do tempo necessário para
que se prepare o grupo que vai lhes prestar auxílio, é prudente que
descansem hoje aqui comigo para que possam partir amanhã com suas
forças revigoradas.
Ante
o convite daquele líder Lican, o grupo não teve outra opção a não
ser pernoitar aquela noite no vilarejo, mesmo contra a vontade de
alguns membros, em especial Matheus e Nicole. De qualquer forma
Izabelle precisava mesmo daquele período de descanso já que aquela
tarefa de rastrear Alice era por demais desgastante. Somente ao ver o
estado em que a jovem licantropa se encontrava foi que Matheus se
acalmou e acabou por conformar-se com aquela pausa em sua busca. Ele
via na expressão cansada de Izabelle que, para um amaldiçoado,
ficar tanto tempo sintonizado ao seu obsessor era por demais
desgastante e penoso.
Posteriormente
à reunião com Morrison, já à noite, Matheus procurou a jovem para
agradecer sua ajuda e seu esforço. O grupo ficou hospedado na
própria residência de Morrison que tratava-se de um casarão
enorme, que muito lembrava aquelas “casas grandes” do período
colonial brasileiro, onde os senhores de engenho viviam com suas
enormes famílias. Como o casarão possuía vários quartos, cada um
dos licantropos dissidentes pôde ficar em um cômodo próprio.
O
casarão possuía uma enorme varanda que o circundava completamente e
um jardim bem na sua frente que ainda possuía uma pequena fonte e
alguns brinquedos que há muito tempo não deviam ser utilizados.
Izabelle estava sentada em um balanço olhando a água que caía da
fonte e que refletia a luz de Selene que parecia dançar ao som de
uma frenética música. Seus olhar era distante, parecia estar em
transe, como se seu espírito estivesse viajando grandes distâncias
enquanto seu corpo pousava sobre a corrente velha do balanço.
Matheus chegou meio sem jeito observando-a em silêncio. Fazia tempo
que queria falar com ela, mas sentia-se constrangido. Ele não queria
se distrair com tais pensamentos, mas era algo difícil para ele,
algo que ele não conseguia dominar, Izabelle era linda e ele estava
muito atraído. Estava culpado-se por sentir algo assim por outra
garota enquanto sua namorada estava desaparecida e possivelmente em
perigo. Era engraçado, mas algo em Izabelle chamava-o, como se
tivessem algo importante para realizarem juntos. “O rosto dela é
angelical, mas suas curvas são diabólicas”, pensava. Ele
lentamente sentou-se num banco ao lado do balanço onde a jovem
estava. Ainda sem saber ao certo o que falar, Matheus começou o
diálogo:
-
Tenho visto que tem sido muito difícil pra você rastrear Alice.
Imagino como você deve estar se esforçando.
-
Estou tendo mais dificuldades por estar utilizando o amuleto Gadol
como fonte do sinal para realizar minha busca. - Os olhos de Izabelle
continuavam mirando a fonte.
O
vento balançava seus longos cabelos castanhos jogando-os em seu
rosto. Apesar de ser uma amaldiçoada, seu semblante era sereno,
tranquilo. Em contrapartida, Matheus não conseguia disfarçar seu
nervosismo ao falar com ela.
-
Eu estou aqui porque gostaria de agradecer o que você tem feito.
Nada disso seria possível se não fosse pela sua ajuda. Sem você
Alice estaria perdida.
-
Se você acha importante agradecer a minha ajuda, tudo bem. Mas é
bom que saiba que eu também tenho meus interesses nessa missão. Não
estou aqui por causa dela, antes penso que fazendo isto vou estar me
ajudando e ajudando você. - Ela virou-se para ele ao falar isto. -
Entrei nessa por sua causa, Matheus. Gostei de você assim que te vi.
Me parece que nossos destinos estão de alguma forma ligados. Não
sei direito explicar, mas é isto que sinto. Fiz o que achava que era
o certo a se fazer.
Matheus
não conseguiu evitar sua expressão que era um misto de surpresa e
vergonha. Seu rosto estava vermelho, seu coração batia acelerado.
Izabelle o encarava com um olhar sereno e firme. Ela definitivamente
sabia o que queria e conseguia passar isso para Matheus. De repente
ela levantou-se, ajeitou os cabelos e partiu em direção ao interior
da casa:
-
Amanhã teremos um dia cheio, talvez tenhamos que lutar. Sugiro que
você descanse, Matheus. - ela parou e virou-se para olhar para ele.
- E eu não quero que você se machuque.
Izabelle
sorriu, dessa vez timidamente, e continuou sua caminhada para dentro
do casarão, deixando Matheus sentado no jardim sob a luz da lua.

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